- Em Eldorado, ruas amanhaceram alagadas; em Iguape, acumulado de chuva em 72 horas chegou a 158 mm
- Nível de rios deve crescer ainda mais ante a alta vazão da represa do rio Capivari, no Paraná
São Paulo
Moradores de cidades do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, estão deixando áreas de casas e comércios com receio das enchentes que atingem a região, onde a situação é crítica.
Dez das 22 cidades que integram a região do Vale do lado paulista estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil divulgado nesta segunda (14).
O município de Iguape foi o mais afetado, com 158 mm de precipitação nas últimas 72 horas, seguido por Itaóca (145 mm), Apiaí (122 mm), Barra do Chapéu (107 mm) e Registro (106 mm).
O cenário é preocupante pela cheia do rio Ribeira de Iguape, que subiu cerca de nove metros desde o início das chuvas.
Imagens divulgadas pela Defesa Civil mostram que a cidade de Eldorado, uma das que compõem o Vale, amanheceu embaixo d’água nesta segunda-feira.
A situação ocorre um dia depois de o prefeito Noel Castelo da Costa (Solidariedade) pedir em vídeo divulgado nas redes sociais que a população procurasse lugares elevados.
“Vamos correr para lugares altos. Vizinhos, parentes, vocês da zona rural, vão para os lugares altos. Uma equipe do governo do estado está vindo com mantimentos e tendas para nós montarmos abrigo porque a situação fugiu do controle”, declarou.
Ainda no domingo, 54 famílias foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil em Eldorado.
O nível das enchentes deve crescer ainda mais ante a alta vazão da represa do rio Capivari, em Campina Grande do Sul, no Paraná. A liberação da vazão tem influência direta sobre o volume das enchentes, já que o excedente de água do Capivari cai no Ribeira de Iguape.
Eldorado não foi a única cidade do vale a registrar problemas pelo transbordamento do rio. Em Sete Barras, por exemplo, as enchentes inundaram vias e propriedades rurais e afetaram pelo menos 50 moradias.

O monitoramento hidrológico continua sob atenção, disse o governo estadual.
Dos 29 pontos acompanhados pela SP Águas na bacia do Ribeira de Iguape, seis estão em extravasamento, um em emergência —em Registro—, seis em alerta e cinco em atenção.
A previsão do tempo não indica trégua. Os volumes podem chegar a novos 100 mm de chuva no Vale do Ribeira, em Itapeva e em Registro até esta segunda, por conta de frentes de umidade vindas da Amazônia e do oceano Atlântico. Na Baixada Santista e no Litoral norte, os acumulados podem se aproximar de 150 mm.
Paraná tem 2,4 mil desalojados e dois desaparecidos
As fortes chuvas que atingem o Paraná desde quarta-feira (9) provocaram a cheia de rios que cortam a região do Vale do Ribeira e deixaram destruição em redes de abastecimento de água e energia, além de interdições em rodovias. Em todo o estado, 2.468 precisaram deixar suas casas, segundo boletim da Defesa Civil divulgado na manhã desta segunda-feira (14).
Em Rio Branco do Sul, duas pessoas estão desaparecidas após um carro ser levado por uma enxurrada.
Conforme o Corpo de Bombeiros, o motorista e um passageiro tentaram atravessar uma ponte que estava submersa, na manhã deste domingo (13), e foram levados pela correnteza. O veículo foi localizado no Rio Ribeira e bombeiros seguem nas buscas pelas vítimas.
A cidade de Adrianópolis está isolada, sem acesso a partir de Curitiba. O único acesso disponível é pelo estado de São Paulo. O isolamento ocorre porque um ponto da BR-467, no quilômetro 6, cedeu integralmente.
Em Tunas do Paraná, a BR-476 também está totalmente interditada no quilômetro 46, devido à obstrução da pista por queda de barreira sobre a via.
O Governo do Paraná montou um Gabinete de Gestão Integrada, coordenado pela Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública), para articular as ações em parceria com órgãos federais e municípios