IA já faz parte da rotina dos estudantes e amplia debate sobre o papel das escolas


Colégio ARBOS afirma que a integração da tecnologia à aprendizagem é fundamental para conseguir preservar raciocínio, autonomia e mediação

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudante (PISA), divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram a presença da inteligência artificial na rotina de estudos. O levantamento aponta que 48% dos estudantes brasileiros de 15 anos utilizam chatbots pelo menos uma vez por semana para aprender. O percentual se aproxima da média dos países da OCDE, de 46%.

Entre os adolescentes brasileiros, 40% afirmam utilizar chatbots para realizar pesquisas preliminares sobre novos temas, 31% recorrem às ferramentas para resumir textos e 27% produzem rascunhos de trabalhos escritos. Os dados ampliam uma discussão que ultrapassa a presença dos dispositivos em sala de aula e envolve a maneira como os recursos participam da aprendizagem.

Para o colégio ARBOS, a pesquisa demostra a importância de utilizar a tecnologia de maneira assertiva em sala de aula para auxiliar a orientação dos alunos. “A tecnologia precisa estar a serviço da aprendizagem. O papel da escola é preparar o aluno para utilizar esses recursos com responsabilidade, desenvolver a capacidade de pesquisar, analisar informações, fazer perguntas e construir as próprias respostas. A inteligência artificial oferece novas possibilidades, mas não substitui o pensamento nem a participação do estudante no processo de aprendizagem”, diz Cristiano da Silva, diretor da unidade do Colégio ARBOS de São Caetano do Sul.

A discussão sobre o uso da tecnologia na educação não é recente para o ARBOS. No Grande ABC, a instituição mantém há mais de uma década uma trajetória de integração de recursos tecnológicos ao processo educacional, antes mesmo da popularização dos atuais sistemas de inteligência artificial. Em 2014, o colégio recebeu o reconhecimento Apple Distinguished School, certificação renovada desde então, que reconhece instituições que utilizam seus recursos tecnológicos para desenvolver experiências de aprendizagem e estimular a inovação na educação.

No ARBOS, o ecossistema Apple é incorporado à rotina escolar como ferramenta pedagógica. A proposta envolve projetos interdisciplinares, produção dos próprios alunos e formação continuada dos professores. A tecnologia é utilizada em conjunto com metodologias que estimulam a participação dos estudantes e a construção do conhecimento.

“A preparação para um cotidiano marcado pela inteligência artificial, portanto, não se limita à ampliação do contato com recursos digitais. O trabalho pedagógico também desenvolve habilidades que não devem ser delegadas às máquinas, como pensar, discernir, argumentar, criar, persistir, estabelecer relações e tomar decisões. No ARBOS, esse compromisso aparece no incentivo à leitura aprofundada, ao pensamento crítico, ao raciocínio lógico, à formulação de perguntas, à realização de testes e à capacidade de aprender com autonomia”, afirma Luciana de Vitta, diretora da unidade do colégio ARBOS de Santo André.

O levantamento também chama atenção para a necessidade de orientação no uso dos dispositivos digitais no ambiente escolar. Entre os estudantes brasileiros, 25% afirmaram que seus colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de Ciências. Aqueles que relataram esse tipo de distração tiveram, em média, 19 pontos a menos na avaliação de Ciências.

Para Ricardo Caparrós, diretor da unidade do ARBOS em São Bernardo, esses números reforçam porque a presença da tecnologia em sala de aula depende de intencionalidade pedagógica. “Quanto mais tecnológico se torna o mundo, maior precisa ser a intencionalidade da escola na formação das capacidades humanas. A tecnologia participa da aprendizagem quando está vinculada a objetivos pedagógicos e à mediação dos educadores. Nosso compromisso é formar estudantes que saibam ler com profundidade, pensar com criticidade, persistir diante das dificuldades e utilizar a inteligência artificial sem terceirizar o próprio pensamento”, conclui.





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