Após derrota, aliados temem avanço de investigações contra Flávio

Com fim do mandato de senador, parlamentar fica sem proteção constitucional da Presidência

Flávio Bolsonaro (PL) em discurso após derrota no 2º turno das eleições presidencias  •

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República acendeu um sinal de alerta entre aliados do senador sobre o futuro das investigações que envolvem seu nome. A preocupação é que, encerrado o processo eleitoral, os procedimentos ganhem novo impulso e ampliem o desgaste político e jurídico do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O mandato de Flávio no Senado termina em 31 de janeiro de 2027. A partir de fevereiro, o parlamentar deixará de contar com o foro decorrente do cargo para fatos sem relação com suas funções parlamentares.

O STF (Supremo Tribunal Federal), porém, poderá manter sob sua competência investigações sobre crimes praticados durante o exercício do mandato e relacionados à atividade parlamentar. Caso tivesse sido eleito presidente, Flávio contaria com a proteção constitucional que impede, durante o mandato presidencial, a responsabilização criminal por atos estranhos ao exercício da Presidência.

Entre os casos que envolvem o senador estão apurações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro, com suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas; suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz e negócios ligados ao setor de apostas; e um procedimento por suposta calúnia contra o presidente Lula em publicação nas redes sociais. A situação processual e a competência de cada caso dependem das decisões judiciais correspondentes. Flávio nega irregularidades.

Um dos pontos de atenção é a eventual relação dos fatos investigados com o exercício do mandato parlamentar. Suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares, caso vinculadas à atuação de Flávio como senador, poderiam justificar a permanência da investigação no STF mesmo após sua saída do Congresso. Em março de 2025, a Corte decidiu que o foro por prerrogativa de função continua válido para crimes cometidos durante o mandato e relacionados às funções exercidas, ainda que o parlamentar deixe o cargo.

A permanência de uma investigação no STF pode representar, na avaliação política de aliados, o cenário mais desfavorável para Flávio. Isso porque o senador continuaria submetido diretamente à jurisdição da mais alta Corte do país, sem a possibilidade ordinária de recorrer a diferentes instâncias judiciais para rediscutir uma eventual condenação. Por outro lado, a transferência de um processo para a primeira instância não significa absolvição nem impede o avanço das investigações. A definição do tribunal competente dependerá da natureza e das circunstâncias dos fatos apurados.

A derrota nas urnas pode representar para Flávio mais do que a perda da oportunidade de chegar à Presidência da República. Sem a proteção constitucional assegurada ao chefe do Executivo e com o fim do mandato de senador, ele poderá enfrentar o avanço de investigações e eventuais processos judiciais. Uma condenação por crimes como corrupção ou lavagem de dinheiro, previstos entre as hipóteses da Lei da Ficha Limpa, poderia torná-lo inelegível, observadas as condições e os prazos legais, inclusive se a decisão for proferida por órgão judicial colegiado. Dependendo da pena e do andamento do processo, também poderia enfrentar o risco de prisão, comprometendo não apenas sua liberdade, mas seu futuro político.

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