Parlamentar do PL também é alvo de boicote por colegas após acusá-los de aprovar aumento de IPTU
Vinte e um vereadores de Mauá assinaram a moção de repúdio contra o também parlamentar Mazinho (PL), aprovada nesta terça-feira (26), pelo episódio no qual trocou empurrões com sindicalista, há duas semanas. Porém, o documento vai além do caso envolvendo o Sindserv (Sindicato dos Servidores e Funcionários Públicos), visto que se trata de um recado ao liberal, isolado no plenário, após lançar materiais pela cidade, atribuindo aos demais colegas um suposto aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
A moção se refere ao incidente no qual o parlamentar se desentendeu com um sindicalista no Legislativo, gerando bate-boca e troca de empurrões durante os trabalhos do último dia 12. Apenas Ricardinho da Enfermagem (PSB) – que senta ao lado do liberal no plenário – não assinou a peça. Por sua vez, o parlamentar do PL minimizou a reação dos colegas.
De todos os itens previstos na ordem do dia, apenas um foi rejeitado: requerimento de Mazinho sobre a falta de medicamentos na cidade. O isolamento do vereador começou em dezembro, quando a Câmara aprovou o limitador de reajuste do IPTU em até 35% para 2026, proposto pelo prefeito Marcelo Oliveira (PT). O vereador do PL chegou a apresentar uma emenda modificativa estabelecendo a margem para até 15%, mas sem sucesso. Com o restante do Legislativo aprovando a proposta do governo, Mazinho teria distribuído materiais e até marcado em outdoors como o único a votar “contra o aumento do imposto”, despertando a ira dos pares.
Internamente, os demais vereadores ficaram indignados com a exposição feita por Mazinho, sob a alegação de que a aprovação da matéria não significa um aumento real do tributo, e sim um limitador para casos específicos. Em uma publicação nas redes sociais no último dia 17, utilizando IA (inteligência artificial) na imagem do Neymar com bilhete nas mãos, o liberal se colocou como “único que votou contra o aumento de IPTU”.
Em outdoors espalhados pela cidade, porém, o legislador simplificou a mensagem para “contra o aumento de IPTU”. Sobre a moção de repúdio, Mazinho reiterou que buscou ajudar o Sindserv na sua pauta salarial perante o Paço e que teria sido empurrado inicialmente naquela confusão. “Respeito a posição dos nobres pares, mas simplesmente quis defender o que o sindicato mandou (de proposta salarial) ao Executivo. E sobre o IPTU, trata-se de um acontecimento de dezembro, não era para ter nada a ver com a moção. Mas se alguém quiser entender dessa forma, o que posso fazer?”, indagou.
REAJUSTE
Sem consenso com a Prefeitura, o Sindserv marcou presença na sessão, com objetivo de protestar, caso o governo enviasse a proposta salarial para a Câmara. Até o encerramento dos trabalhos, não houve a confirmação do envio da matéria. A proposta do Paço previa reajuste de 4,14% e aumento de R$ 75 no auxílio-alimentação, mas foi rejeitada pela categoria.