O autor, identificado como Igor Moreira, morreu após ser baleado pela Polícia Militar durante uma tentativa de abordagem
Veja tudo o que se sabe sobre a chacina que deixou quatro mortos em Visconde do Rio Branco (MG)
Um homem de 31 anos matou quatro pessoas, deixou uma vítima gravemente ferida, cometeu roubos e mobilizou uma grande operação policial na tarde desta terça-feira (23) em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira. Entre os mortos estão a própria esposa do suspeito, um homem assassinado dentro de casa na frente da família, um pintor e um trabalhador bastante conhecido na cidade.
O autor, identificado como Igor Moreira, morreu após ser baleado pela Polícia Militar durante uma tentativa de abordagem. A Polícia Civil investiga as circunstâncias dos crimes e também da morte do suspeito.
Como tudo começou
De acordo com a Polícia Militar, a sequência de ataques teve início quando Igor esfaqueou Vagner Batista Antonio Ferreira, de 34 anos. A vítima foi socorrida com ferimentos graves para uma unidade de saúde.
Segundo familiares, Vagner chegou a lutar com o agressor antes que ele fugisse utilizando a motocicleta da própria vítima.
A morte da esposa
Após fugir do primeiro local do crime, Igor seguiu até a Avenida Presidente Arthur Silva Bernardes, onde encontrou a esposa, Thaís Ramos Gonçalves, de 31 anos.
Segundo a polícia, os dois discutiram e, durante o desentendimento, o homem sacou uma faca e golpeou a companheira. Ela morreu no local.
Thaís era mãe de uma aluna da Escola Municipal Doutor Carlos Soares. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação lamentou a morte da mulher.
“A Secretaria Municipal de Educação e a Escola Municipal Dr. Carlos Soares manifestam profundo pesar pelo falecimento da senhora Thaís Ramos Gonçalves, mãe de nossa querida aluna Lis Maria, do 2º ano da Professora Verônica. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade aos familiares e amigos, desejando força e conforto a todos.”
O ataque dentro de uma residência
Depois de matar a esposa, Igor seguiu para a Rua Cristiano Ferraz, no bairro Formiga.
No local, ele arrombou a porta de uma residência e invadiu o imóvel onde estavam Sidnei de Jesus Silva, de 31 anos, a esposa e os três filhos do casal.
Segundo o relato da companheira da vítima, o agressor chegou chamando pelo apelido do homem. “Qual é, Sidão? Sai pra fora”, teria gritado.
A mulher contou que viu o suspeito segurando uma faca coberta de sangue. Em seguida, ele invadiu a casa e atacou Sidnei.
As crianças precisaram fugir pelas janelas para escapar da violência. O suspeito ainda tentou atacar uma adolescente, enteada da vítima, mas ela conseguiu correr. Sidnei morreu dentro da residência antes da chegada do socorro.
Roubos durante a fuga
Após o segundo homicídio, Igor continuou circulando pela cidade.
Ele foi até o Supermercado Ananias, onde roubou aproximadamente R$ 600 e ameaçou funcionários.
Imagens de câmeras de segurança mostram o suspeito afirmando que já havia matado várias pessoas e que pretendia continuar os ataques.
Em seguida, ele foi até um posto de combustíveis, onde roubou cerca de R$ 200 de funcionários. Apesar das ameaças, ninguém ficou ferido nos dois estabelecimentos.
O assassinato do pintor
A próxima vítima foi Alexandre José Ribeiro, de 45 anos.
Natural de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, ele trabalhava como pintor em uma obra localizada na Travessa Heitor Villa-Lobos.
Segundo a Polícia Militar, Igor parou no local e atacou Alexandre com golpes de faca. A vítima não resistiu aos ferimentos.
A morte de “Grilo”
Na sequência, o suspeito passou por um bar localizado na Rua São José, no bairro Pito Aceso.
De acordo com a proprietária do estabelecimento, Fernanda, Sérgio Adriane dos Santos, de 55 anos, conhecido popularmente como “Grilo”, estava sentado próximo à entrada do comércio.
Ao perceber que o motociclista trafegava sem capacete, Sérgio teria feito um alerta ao condutor.
Segundo a testemunha, Igor então desceu da moto, retornou armado com a faca e anunciou um assalto. Enquanto as demais pessoas conseguiram fugir, Sérgio foi atingido no pescoço e morreu no local.
A perseguição policial
Após os ataques, militares iniciaram uma perseguição por diversos bairros da cidade.
Uma testemunha informou que chegou a seguir o suspeito após tomar conhecimento de um assalto ocorrido em um supermercado.
Segundo ele, durante o trajeto viu o autor tentar atacar uma pessoa na rua e também presenciou o assassinato de Sérgio no bar.
Ainda de acordo com ela, o suspeito chegou a seguir em direção ao Lar de Idosos São João Batista, mas ele perdeu contato visual com o homem antes da chegada da polícia.
Como o autor morreu
A perseguição terminou no bairro Santa Clara. Segundo a Polícia Militar, Igor foi localizado ainda armado com a faca utilizada nos crimes.
Os militares afirmam que deram ordens para que ele largasse a arma, mas o homem teria se recusado a obedecer.
Diante da negativa, os policiais efetuaram disparos. O suspeito foi socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas morreu ao dar entrada na unidade de saúde.
De acordo com o médico responsável pelo atendimento, o corpo apresentava oito perfurações provocadas pelos tiros.
O que dizem as autoridades
A Prefeitura de Visconde do Rio Branco decretou luto oficial e divulgou nota lamentando a tragédia.
“Em respeito às vítimas e em solidariedade aos familiares e amigos, a Prefeitura decreta luto oficial, compartilhando o sentimento de dor e consternação que atinge toda a comunidade rio-branquense.”
Já a Polícia Civil de Minas Gerais informou que acompanha o caso e instaurou procedimentos para apurar todos os fatos.
“A Polícia Civil de Minas Gerais informa que acompanha o caso envolvendo um homem, de 31 anos, suspeito de feminicídio contra a companheira, além de dois homicídios consumados e duas tentativas de homicídio, ocorridos na tarde desta terça-feira (23/6), no município de Visconde do Rio Branco. A PCMG também apura a morte do suspeito.”
A corporação informou ainda que a perícia técnica foi acionada para realizar os trabalhos nos locais dos crimes e que as investigações seguem para esclarecer todas as circunstâncias dos ataques.