David Neves foi ofendido e agredido com um tapa em unidade na Vila Luzita; outros equipamentos também devem receber câmeras
Após o caso de agressão na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Luzita, no dia 31 de agosto, a Prefeitura de Santo André pretende instalar câmeras de monitoramento no interior das seis unidades de pronto-socorro. Ao Diário, o secretário de Saúde, Diego Cabral, afirmou que três locais já possuem equipamentos e os restantes devem ser contempladas até a próxima semana.
“Antes de assumir a Pasta, as câmeras eram externas, focadas na segurança do equipamento. Agora, a gente passa a fazer ajustes para que elas tenham acesso interno na unidade, garantindo a proteção de todos”, disse. A administração municipal também projeta instalar até dezembro os dispositivos em toda a rede pública.
A medida foi anunciada após o enfermeiro David Alves Neves, 41 anos, ser alvo de agressões verbais e físicas, enquanto trabalhava, por outro funcionário público da Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos. O acusado de agressão tentou tirar vantagem e ser atendido antes por trabalhar na administração municipal, o que gerou a confusão, segundo o secretário.
O homem, identificado como Frank Mariano dos Santos, 46, estava acompanhado da mulher dele, Bruna Geraldini, 32, que também agrediu e ofendeu o profissional da saúde. Os dois foram ouvidos no 6º Distrito Policial e liberados.
Segundo o BO (boletim de ocorrência), Neves relatou que estava atendendo outro paciente na triagem por volta das 18h30. Santos havia se identificado como servidor da Prefeitura e pediu urgência no atendimento para a companheira, declarando que a mulher estava com a pressão arterial alta.
O enfermeiro pediu para que o homem aguardasse e pegasse a senha, igual aos demais pacientes. Ainda de acordo com o registro policial, Santos começou a ficar irritado e relatou que o profissional da saúde estava agindo com preconceito, já que Bruna é uma pessoa trans.
Contudo, Neves alegou que sequer viu a mulher durante a conversa, por ela estar na recepção. Diante do início da confusão, a companheira se aproximou e retornou à fila com Santos. O enfermeiro declarou que, após avaliação, não identificou sinais que indicassem uma condição grave que necessitasse de atendimento de urgência.
Assim que o trabalhador se deslocou até o setor de espera, o acusado teria ofendido Neves com xingamentos como ‘filho da p…’ e ‘arrombad…’ e também havia agarrado seu pescoço. Durante a discussão, Bruna desferiu um tapa contra o rosto do enfermeiro.
. Neves chegou a avançar contra o casal, mas afirmou que não revidou as agressões. “É um sentimento de tristeza, indignação e, principalmente, de frustração. Tentei me defender após a agressão, mas não agredi nenhum dos dois. A confusão foi apartada por funcionários e pacientes que estavam no local”, comentou o enfermeiro ao Diário.
Em defesa, Santos alegou à polícia que foi tratado com indiferença pelo profissional e foi chamado de ‘ridículo’ ao ser negada a urgência de atendimento, além de ter atribuído a discussão inicial ao fato de a mulher ser trans. Já a companheira declarou que os movimentos foram apenas para evitar que o enfermeiro partisse para cima dos dois. Também relatou ter sido chamada de ‘traveco’.
No exame de corpo de delito, foi constatado que a vítima sofreu lesões corporais leves. “Nego que tenha cometido qualquer ofensa ou utilizado termo transfóbico. Isso não aconteceu. Sequer tinha visto a paciente anteriormente e não sabia (sobre ela).
O secretário de Saúde Diego Cabral repudiou o ocorrido e disse que a secretaria responsável vai instalar um ato administrativo para apurar se o funcionário público utilizou seu cargo para obter vantagem. “Com base em relatos de todas as testemunhas e no trabalho policial, se o processo entender que ele tentou obter vantagem, ele certamente vai ser demitido. Mas cabe julgamento e defesa”, falou.
EM OUTRAS CIDADES
Em fevereiro deste ano, São Bernardo aprovou uma lei para multar agressores de profissionais da saúde em até R$ 10 mil. Um caso de repercussão na cidade aconteceu em maio, quando o enfermeiro da UPA Demarchi/Batistini, Flávio Vieira da Veiga, 47, foi agredido com socos dentro da unidade e teve fraturas no rosto. Segundo o BO, o acusado das agressões foi o motoboy Reginaldo Ferreira, 36, que teria invadido o consultório exigindo atendimento para a irmã.
Em junho de 2025, outra ocorrência marcou a região. A assistente administrativa Natália Carvalho de Souza, 27, agrediu as médicas Miriam, 60, e Gabriela Macul, 28, que são mãe e filha, gerando prejuízo de R$ 30 mil ao Hospital Infantil e Maternidade, em São Caetano.