Selmo dos Santos Pereira possuía 78 processos e 34 inquéritos policias
A Polícia Militar prendeu, na noite desta segunda-feira (31), o estudante de Direito de São Bernardo, Selmo dos Santos Pereira, 53 anos, por apresentar documentos falsos e se passar por juiz de unidade judicial da região. O suspeito estava sendo procurado pela justiça pelo crime de estelionato e possuía 78 processos em seu nome.
Segundo informações da corporação, o homem foi visto dirigindo em velocidade alta na Rua Java, no Jardim do Mar, o que levantou alerta da PM. Na abordagem, Pereira apresentou um RG com sinais de adulteração e declarou ser Jarbas Luiz do Santos, juiz de Direito da 3.ª Vara Criminal de Santo André. Também alegou ser professor universitário da Faculdade de Direito de São Bernardo.
Contudo, um outro veículo passou pela rua e cumprimentou o suspeito. Ao ser questionada, a condutora, que não foi identificada, disse que o homem, na verdade, era estudante do curso, conforme mostrou o registro policial. Diante das inconsistências apresentadas, o aluno foi levado para o 2º Distrito Policial da cidade para prestar esclarecimentos.
Após o exame de perícia, a equipe policial confirmou a verdadeira identidade do acusado, sendo procurado por estelionato e possuindo 78 processos e 34 inquéritos policiais contra ele. Na investigação, também foi localizado o verdadeiro Jarbas Luiz dos Santos, que de fato era um juiz da 3ª Vara Criminal da cidade andreense e morava em São Caetano. A vítima compareceu ao distrito policial e declarou que recentemente havia sofrido uma tentativa de compra de imóvel em seu nome.
Foto de Selmo dos Santos Pereira (esq) e do juiz Jarbas Luis dos Santos (dir) FOTO: Divulgação
A equipe tentou localizar a defesa do suspeito e aguarda retorno.

CANDIDATO
Selmo dos Santos Pereira foi candidato a prefeito de Juquitiba, na Região Metropolitana de São Paulo, nas eleições de 2012. Na ocasião, ele disputou pelo Partido Republicano Progressista com o número 44.
O falso juiz havia declarado fortuna de R$ 2 milhões em bens.

Em 2010, Pereira havia tentado ser candidato a deputado federal pelo Democratas, mas a situação eleitoral foi indeferida pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo. Segundo informações da época, o suspeito estava preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros desde o início daquele ano por suposto envolvimento em crime de estelionato.
Naquela eleição, seu patrimônio declarado foi de R$ 91,6 milhões. Nos registros, Pereira havia afirmado que era diretor e proprietário do Unilma (Centro Universitário Livre do Meio Ambiente), que valia R$ 80 milhões. Porém, não havia registro no Ministério da Educação. O fato foi amplamente noticiado na época pelos jornais como Folha de São Paulo, O Globo e outros.