Prefeitura de Sorocaba convocou reunião com servidores para identificar e intimidar quem denunciou ‘buraco fake’, aponta dossiê

Novo documento que será entregue ao MP detalha uso de 15 funcionários e 7 veículos na suposta farsa. Servidores também denunciam que foram intimidados para não revelarem o esquema.

A Prefeitura de Sorocaba (SP) convocou uma “reunião” com os servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), autarquia responsável pelo abastecimento de água e rede de esgoto na cidade, para identificar e intimidar os funcionários responsáveis pela denúncia do “buraco fake” que teria servido de cenário para um vídeo viral do prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos).

A denúncia consta em um novo dossiê elaborado pelos servidores da autarquia que será enviado ao Ministério Público para embasar outras duas denúncias enviadas pelo ex-prefeito José Crespo e o vereador Raul Marcelo (PSol).

“O motorista está em avaliação de ‘disciplina’ e ‘responsabilidade’. Pressioná-lo nesse período é tentativa de condicionar sua efetivação ao silêncio”, afirma um trecho do documento.

Os servidores também alegam que houve prevaricação no Saae com a suposta abertura de ordens de serviços falsas e deslocamento de equipes sem necessidade técnica. “Mantiveram as equipes paradas por horas aguardando o prefeito”, diz um trecho do documento, que tem nove páginas e acusa a gestão de assédio moral e perseguição.

Além das duas denúncias, o dossiê também detalha que o procedimento custou R$ 19,5 mil, usou 15 funcionários e sete veículos na suposta farsa. O material cita falsidade ideológica em série, com Registro de Atendimento (RAs), e Ordens de Serviços (OSs) falsos, prevaricação de chefias e diretores, desvio de finalidade, improbidade administrativa, dano ao erário, entre outros.

O novo documento detalha a estrutura mobilizada para o suposto buraco fake:

  • 15 funcionários do Saae;
  • 7 veículos, incluindo caminhão pipa, caminhão de aterro e retroescavadeira;
  • 2 empresas terceirizadas, uma para drenagem e outra para o reparo do asfalto.

O trabalho na via também contou com a prestação de serviço de duas empresas terceirizadas: uma contratada para fazer o trabalho de drenagem e a outra para cuidar do reparo do asfalto. Com base nesses dados, os servidores estimam um prejuízo de pelo menos R$ 19,7 mil aos cofres públicos.

O documento lembra que no, vídeo gravado pelo prefeito, uma pessoa cai dentro do buraco recém-aberto. “O buraco continha ou havia contido esgoto (rede de esgoto do Saae). Risco de contaminação biológica e gases tóxicos (metano, sulfeto)”, reforça.

O que dizem os órgãos fiscalizadores e envolvidos

  • Prefeitura de Sorocaba não comentou sobre as denúncias de assédio que compõem o dossiê, mas disse que prestará todos os esclarecimentos diretamente ao Ministério Público, caso o órgão solicite. Também reiterou que a vala foi aberta para obra de manutenção em rede de esgoto. “Houve troca de abraçadeira danificada, com conclusão da manutenção no mesmo dia, seguida da recomposição do pavimento da via, conforme protocolos operacionais da autarquia. A intervenção ocorreu a partir de solicitação de serviço devidamente registrada pelo Saae/Sorocaba, seguindo fluxo interno de controle.”
  • O Ministério Público do Trabalho (MPT) disse que está ciente do caso, mas afirmou não ter recebido nenhuma denúncia formal sobre assédio na autarquia.
  • Ministério Público do Estado de São Paulo foi questionado sobre a evolução das denúncias feitas sobre o caso após as denúncias feitas na quinta-feira (23). Em nota, o órgão respondeu que não havia novidades até esta segunda-feira (27).

O material cita falsidade ideológica em série, com Registro de Atendimento (RAs), e Ordens de Serviços (OSs) falsos, prevaricação de chefias e diretores, desvio de finalidade, improbidade administrativa, dano ao erário, entre outros.

O novo documento detalha a estrutura mobilizada para o suposto buraco fake:

  • 15 funcionários do Saae;
  • 7 veículos, incluindo caminhão pipa, caminhão de aterro e retroescavadeira;
  • 2 empresas terceirizadas, uma para drenagem e outra para o reparo do asfalto.

O trabalho na via também contou com a prestação de serviço de duas empresas terceirizadas: uma contratada para fazer o trabalho de drenagem e a outra para cuidar do reparo do asfalto. Com base nesses dados, os servidores estimam um prejuízo de pelo menos R$ 19,7 mil aos cofres públicos.

O documento lembra que no, vídeo gravado pelo prefeito, uma pessoa cai dentro do buraco recém-aberto. “O buraco continha ou havia contido esgoto (rede de esgoto do Saae). Risco de contaminação biológica e gases tóxicos (metano, sulfeto)”, reforça.

O que dizem os órgãos fiscalizadores e envolvidos

  1. A Prefeitura de Sorocaba não se manifestou sobre o documento até a publicação desta reportagem.
  2. O Ministério Público do Estado de São Paulo foi questionado sobre a evolução das denúncias feitas sobre o caso após as denúncias feitas na quinta-feira (23). Em nota, o órgão respondeu que não havia novidades até esta segunda-feira (27).
  3. O Ministério Público do Trabalho (MPT) não respondeu se recebeu alguma denúncia sobre os supostos casos de assédio e se pode pode tomar alguma medida contra a situação.

‘Equipe parada esperando o prefeito’

A denúncia dos servidores é reforçada pelo relato de moradores. Um vizinho, que não quis se identificar”A gente vê uma equipe ficar parada meio período, […] e não é o procedimento padrão que a gente vê aí do Saae”, disse.

O mesmo morador disse que estranhou a agilidade do serviço. “Eu tive um problema que eles levaram um mês para resolver. E agora, no mesmo dia virem, abrirem o buraco e fecharem, isso é algo inédito, né?”, questiona.

O morador também afirma que não havia nenhum problema aparente na via antes da obra. “Eu passo todo dia aqui pela rua por causa do trabalho e, se fosse alguma coisa recorrente, a gente teria percebido”, disse.

Gostou dessa matéria? Envie a um(a) amigo(a):

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email