Grande ABC registra 369 mil consultas; Brasil promove Dia de Prevenção à Hipertensão Arterial
O Grande ABC registrou, em média, 42 atendimentos por hora relacionados à hipertensão arterial, conhecida como pressão alta. Em 2025, a região somou 369.744 consultas, de acordo com dados das sete prefeituras. Neste domingo (26) é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, a hipertensão é uma doença crônica que se caracteriza pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. A condição ocorre quando os valores são iguais ou ultrapassam 14 por 9.
Em 2024, o Grande ABC contabilizou 307.840 atendimentos relacionados à enfermidade – com exceção de Rio Grande da Serra que não enviou os dados. Considerando os seis municípios, a região registrou 365.797 consultas em 2025 – alta de 19% em um ano.
Segundo o Ministério da Saúde, em 90% dos casos o problema tem origem hereditária. O médico generalista André Chaves também relatou que outros fatores podem levar à pressão alta. “Trata-se de uma doença com múltiplas causas, entre elas o consumo excessivo de alimentos salgados e ultraprocessados, a obesidade, o sedentarismo e o estresse contínuo”, afirmou o especialista. Hábitos como o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também podem influenciar.
Conforme explicou o cardiologista Firmino Haag, o aumento da pressão faz com que o coração tenha que se esforçar mais para bombear o sangue para o corpo. Apesar de algumas ocorrências serem observadas somente após consultas, o especialista comentou que é possível identificar sintomas precocemente, como náuseas, sangramento pelo nariz, dificuldade para respirar, cansaço, dor no peito, perda da consciência e outros.
Segundo Haag, o aumento no número de atendimentos sugere um avanço na identificação dos casos por parte dos municípios. “Também indica maior procura por cuidados de saúde. Maior visibilidade das diretrizes brasileiras leva as pessoas a buscarem postos de saúde e farmácias para medir pressão e receber acompanhamento”, comentou.
“A reclassificação de valores como pré-hipertensão provavelmente também aumenta o número de pessoas identificadas como em risco”, acrescentou.
MUDANÇAS
Para o tratamento, o fundamental é a mudança do estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, praticar atividades físicas e, em alguns casos, uso de remédios. A hipertensão arterial, apesar de parecer silenciosa, pode acarretar problemas severos como AVC (Acidente Vascular Cerebral), infarto, aneurismas, síndromes plurimetabólicas e até mesmo a morte.
Após passar por um quadro grave de saúde, o morador de São Bernardo e aposentado, Antonio Roberto Casa, 72 anos, resolveu mudar por completo sua rotina. Ainda jovem, com 25 anos, Casa foi diagnosticado com pressão alta. “Havia ocasiões em que chegava a 24 por 12. Alguns familiares tinham também, mas como eu era obeso, com mais de 100 quilos, prejudicava ainda mais a minha pressão”, contou.
Depois, o aposentado começou a tomar remédio. Contudo, a mudança veio após um AVC aos 62 anos. “Em função dos níveis de pressão alta, colesterol e triglicérides estavam altos e acabei tendo um acidente vascular. Depois do susto, passei a controlar melhor a alimentação, aumentei a carga de exercícios e, a cada seis meses, faço acompanhamento médico no SUS (Sistema Único de Saúde).”
AJUDA
As prefeituras da região ressaltaram que as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) realizam atendimentos a pacientes com a doença e que as cidades promovem materiais de conscientização. São Bernardo, por exemplo, realizou na sexta-feira (24), um evento na UBS Batistini sobre o assunto, com entrega de material explicativo e uma amostra de sal de ervas, que ajuda a reduzir o consumo de sódio.
Ação da FMABC busca conscientizar sobre o diagnóstico precoce da doença
Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, o Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina ABC) realiza, na quinta-feira (30), uma ação voltada à conscientização e prevenção da doença no ambulatório de cardiologia.
De acordo com dados da faculdade, o ambulatório especializado atendeu 360 pacientes com hipertensão arterial em 2025. Já no ano anterior, foram 350 pessoas acompanhadas – alta de 3% em um ano.
A ação será coordenada pelo professor Antonio Carlos Palandri Chagas e consiste na entrega de folders informativos e rodas de conversas com os grupos de pacientes presentes no dia. A iniciativa busca esclarecer dúvidas sobre fatores de risco, prevenção e tratamento da doença.
No ambulatório de Cardiologia da Mulher da FMABC, o evento promove o tratamento da pressão alta durante a gestação, condição de relevante impacto na saúde materno-fetal.