Perto de ser privatizada, CPTM investe R$ 97 mi em obras na Linha 10-Turquesa

Concessão do único ramal estatal está prevista para ocorrer ainda neste ano; intervenções serão realizadas nas estações Santo André e Mauá

Com previsão de concessão à iniciativa privada neste ano, a Linha 10-Turquesa, único ramal ainda operado diretamente pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), receberá investimento de R$ 97 milhões em obras de acessibilidade nas estações Prefeito Celso Daniel-Santo André e Mauá. O contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (23).

De acordo com o documento, a CPTM firmou acordo com o Consórcio LK-JZ para a execução das obras de adequação das duas estações às normas atuais de acessibilidade. O contrato terá vigência de 42 meses.

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O processo para contratação das obras teve início em dezembro de 2024, quando o edital foi aberto pela CPTM. A licitação, no entanto, enfrentou entraves durante a fase de habilitação das empresas participantes. Na ocasião, uma concorrente foi inabilitada pela companhia durante a análise documental.

Segundo a CPTM, as obras devem começar em maio, simultaneamente nas duas estações. A proposta prevê a construção de novas passarelas de acesso às plataformas, elevadores e escadas fixas, além de adaptações em sanitários acessíveis e áreas externas.

A companhia informou ainda que as estações também passarão por adequações para atendimento às normas de acessibilidade, à NR-24 (Norma Regulamentadora 24) e para obtenção do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Durante algumas etapas das intervenções, poderá haver interdição parcial ou total das plataformas. “Será elaborada uma estratégia operacional visando à mínima interferência aos passageiros”, pontuou.

A cabeleireira Valesca Alves Duarte, 45 anos, moradora de Ribeirão Pires, utiliza a estação Prefeito Celso Daniel-Santo André para levar a filha Chelsea Silvia Duarte Miranda, 3, para tratamento médico. A criança tem paralisia cerebral, microcefalia, toxoplasmose e catarata congênita.

A ausência de elevadores e rampas dificulta o deslocamento com a cadeira de rodas da filha. “É complicado. Para descer a escada eu consigo, mas para subir já não dá. As pessoas ajudam, graças a Deus, mas precisava de elevador”, relatou.

O pai da criança, Silvio Daniel Miranda, desempregado, 27, também critica a estrutura da estação. “Tenho força pra carregar ela (Chelsea). Mas quando a mãe dela sai sozinha, fica muito mais difícil. Sem rampa e elevador atrapalha muito”, afirmou.

Miranda relata que a família já enfrenta dificuldades desde a saída de casa. “A gente mora em uma chácara em Ribeirão Pires, sem asfalto, o que já é bem complicado, quando chega aqui na estação de Santo André, piora ainda mais.”

RECUO

No último dia 10, o governo do Estado recuou da decisão de retirar os trens mais novos da Linha 10-Turquesa após críticas de passageiros e questionamentos sobre os critérios da mudança.

A linha, que atende cinco cidades do Grande ABC, havia começado a receber composições mais antigas, de até 18 anos de uso, enquanto trens com cerca de seis anos foram direcionados para linhas já concedidas à iniciativa privada.

A substituição da frota teve início em 20 de março e ocorreria gradativamente até maio. Após a repercussão negativa mostrada pelo Diário, o Estado voltou atrás. Na ocasião, a administração estadual afirmou que a reorganização operacional seguia critérios técnicos e de eficiência do sistema ferroviário.

Atualmente, circulam 477.861 usuários por dia na Linha 10-Turquesa, segundo dados da CPTM.

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