Pesquisa mostra que 32% dos brasileiros não se identificam com nenhuma sigla; analistas políticos apontam fatores centrais
Um terço do eleitorado brasileiro se declara sem preferência por qualquer partido político. É o que mostra a pesquisa Ipsos-Ipec realizada entre 5 e 9 de março de 2026, que ouviu 2.000 pessoas em 131 municípios do país e revelou um cenário dividido entre os dois principais polos políticos e um grupo crescente de eleitores “órfãos” de lado.
Segundo o levantamento, o PT lidera a preferência partidária, com 27% das menções, seguido pelo PL, com 19%. No entanto, o maior grupo é formado justamente pelos que afirmam não ter simpatia por nenhum partido: 32%. Outros 7% não souberam ou preferiram não responder.
O dado, na avaliação de cientistas políticos ouvidos pelo R7, revela menos uma simples crise de representação e mais uma transformação profunda na forma como o brasileiro se relaciona com a política.
Para Lucas Fernandes, cientista político e coordenador de Análise Política da BMJ Consultores Associados, o fenômeno está ligado à fragilidade histórica das siglas no país.
Há um personalismo muito forte. As pessoas votam em candidatos independentemente da filiação partidária. Muitas vezes, elas não conseguem perceber diferenças concretas entre várias legendas, especialmente as de centro”, explica.
Polarização
A pesquisa também mostra que a rejeição partidária segue a mesma lógica da polarização. O PT é o partido com maior resistência, com 37% dos brasileiros afirmando que não votariam na legenda “de jeito nenhum”. O PL aparece em seguida, com 19% de rejeição.