Segundo comunicado, Lindsey Graham morreu de uma ‘doença repentina’ na noite do sábado (11). O republicano tinha 71 anos.
O senador norte-americano Lindsey Graham, membro do Partido Republicano, morreu na noite deste sábado (11). A informação foi compartilhada pelo gabinete do próprio político na rede social X (antigo Twitter).
Segundo o comunicado, Graham morreu após uma “doença repentina e breve”. O senador da Carolina do Sul tinha 71 anos.
Segundo a rede americana NBC, o serviço de emergência atendeu a um chamado de parada cardíaca no endereço de Graham em Washington D.C. A causa da morte, no entanto, ainda não foi oficialmente confirmada.
Nos últimos anos, Graham ficou conhecido por sua relação próxima com o presidente Donald Trump, contra quem chegou a disputar a indicação do Partido Republicano à Presidência em 2016. Ele era um dos principais conselheiros do presidente americano em temas de política externa.
Trump lamentou a morte do senador, que classificou como “uma das melhores pessoas” , na rede social Truth Social. “Ele estava sempre trabalhando e era um verdadeiro patriota americano. Lindsey fará muita falta!!! Detalhes e informações sobre o velório serão divulgados em breve. Muito triste!”, publicou.
Na semana passada, Graham fez parte de uma delegação que esteve em Kiev, capital da Ucrânia, e havia anunciado um acordo para avançar em um pacote de maiores sanções dos EUA à Rússia. Ele estava escalado para participar, na manhã deste domingo (12), do programa de entrevistas “Meet the Press”, da NBC.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou estar “profundamente entristecido” com a morte de Graham, e o descreveu como um “verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam o nosso mundo mais seguro.”
Graham foi eleito para o Senado dos Estados Unidos em 2002. Conhecido por defender uma política externa voltada para a área de defesa, seu site afirma que ele “defendeu de forma consistente resultados na Guerra ao Terror que protegessem os interesses de segurança nacional de longo prazo” dos Estados Unidos.
Recentemente, Graham presidiu a Comissão de Orçamento do Senado. Também integrou a Comissão de Apropriações, a Comissão Judiciária e a Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado.
Em 2021, voltou a ganhar repercussão no Brasil ao afirmar, sem apresentar provas, que milhares de brasileiros cruzavam ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos usando roupas de grife e bolsas da marca Gucci.
Relação com Trump
Graham defendeu durante anos uma política externa favorável ao uso da força militar pelos Estados Unidos e ao fortalecimento da defesa nacional.
A relação entre Graham e Trump começou de forma conturbada. O senador chegou a afirmar que o então empresário era “inapto para o cargo” e usou um palavrão para se referir a Trump depois que ele fez comentários depreciativos sobre o ex-senador John McCain, melhor amigo de Graham no Senado e veterano da Guerra do Vietnã.
McCain, Graham e o ex-senador Joe Lieberman, independente por Connecticut, eram conhecidos como os “Três Amigos” e viajavam com frequência pelo mundo para defender uma política externa mais intervencionista dos Estados Unidos.
Mas Graham mudou significativamente de posição depois que Trump venceu a eleição presidencial. O senador tornou-se um dos principais aliados do presidente, passou a falar com ele com frequência e se tornou presença constante em partidas de golfe ao seu lado, enquanto McCain permaneceu como um crítico de Trump.
Em uma entrevista à Associated Press, em 2018, Graham explicou sua mudança de postura dizendo que McCain lhe ensinou que o país precisa seguir em frente após as eleições e que isso significava haver “a obrigação” de ajudar o presidente. McCain concorreu duas vezes à Presidência dos Estados Unidos.
Graham chegou a romper com Trump após a invasão do Capitólio por apoiadores do então presidente, em 6 de janeiro de 2021. Na ocasião, declarou: “Estou fora. Já chega.”
Pouco tempo depois, porém, voltou a se aproximar de Trump e permaneceu como um de seus aliados durante o segundo mandato do presidente.
Carreira política
Lindsey Graham construiu uma carreira de mais de três décadas na política norte-americana. Ele iniciou sua trajetória eleitoral em 1992, quando foi eleito deputado estadual após atuar como advogado na Justiça Militar e na Justiça comum.
Nascido em uma família de classe média baixa na cidade de Central, na Carolina do Sul, Graham cresceu ajudando os pais, donos de um bar ao lado da casa da família. Formou-se em Direito antes de ingressar na vida pública.
Sua projeção nacional começou em 1999, quando integrou a comissão da Câmara dos Representantes que aprovou o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton.
Em 2016, Graham tentou disputar a indicação do Partido Republicano à Presidência, mas acabou derrotado nas prévias vencidas por Donald Trump. Após a vitória de Trump, Graham mudou de posição e se aproximou do presidente.
A mudança de aliança foi acompanhada por uma alteração em seu discurso político. Se antes era visto como mais moderado em temas como imigração, passou a adotar posições mais duras, alinhadas às de Trump.
Em alguns momentos, porém, enfrentou resistência dentro do próprio partido ao se afastar das alas mais conservadoras, como quando votou a favor de uma juíza indicada pelo então presidente Barack Obama para a Suprema Corte.
Após a derrota de Trump para Joe Biden, em 2020, Graham participou das tentativas de contestar o resultado da eleição. Ele chegou a telefonar ao responsável pela certificação dos votos no estado da Geórgia para questionar se seria possível contestar judicialmente votos enviados pelo correio.
Nos anos seguintes, adotou um discurso cada vez mais conservador em entrevistas e aparições na televisão.
Repercussão
O líder da maioria no Senado dos Estados Unidos, John Thune, republicano da Dakota do Sul, afirmou que “meu coração está pesado nesta manhã ao saber da morte do meu amigo e colega, o senador Lindsey Graham”.
“Lindsey dedicou muitos anos de sua vida à Força Aérea e ao Congresso, o que o levou às mais diversas regiões do mundo”, afirmou Thune. “Ele foi um defensor firme dos Estados Unidos e um forte aliado de países que valorizam a liberdade em todo o mundo. Acreditava no poder dos Estados Unidos para promover o bem e dedicou sua vida a essa causa.”
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também lamentou a morte de Graham e o descreveu como “um grande amigo de Israel” e um “querido amigo meu”.
Segundo Netanyahu, Graham entendia que a segurança de Israel e dos Estados Unidos era inseparável e dedicou sua vida à defesa dos EUA, ao fortalecimento da aliança entre os dois países e à defesa do mundo livre.
“Israel perdeu um de seus maiores amigos. Os Estados Unidos perderam um grande patriota. Eu perdi um amigo querido”, afirmou Netanyahu, ao prestar condolências à família de Graham e ao povo americano.