Presidente da FUABC atribui desequilíbrio a procedimentos acima do planejamento original e de maior complexidade
O Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, vai revisar contratos e despesas para enfrentar o desequilíbrio financeiro. A nova direção pretende identificar custos excessivos, enxugar gastos operacionais e redirecionar recursos para setores com maior demanda. A medida ocorre em um cenário no qual, segundo a direção da FUABC (Fundação do ABC), a unidade assume despesas com atendimentos e procedimentos que ultrapassam o previsto no contrato de gestão com o governo do Estado.
A nova direção foi apresentada oficialmente ontem, durante reunião com o presidente da FUABC, Aldemir Soares Humberto, e o ex-diretor-geral Murilo William Dib. José Antonio Acemel Romero, conhecido como Espanhol, assume a direção-geral, enquanto Ricardo Carajeleascow, vice-presidente da fundação, fica responsável pela direção técnica do complexo.
Acemel afirmou que receberá ainda nesta semana um relatório da administração para embasar as próximas decisões. O novo diretor-geral pretende dar continuidade ao trabalho de adequação dos contratos e dos custos de gestão da unidade iniciado por Murilo Dib.
“Vamos identificar em quais setores há gordura, vamos enxugá-la e redirecionar (recursos) para onde existem demandas. A revisão dos custos gerais engloba desde a prestação de serviços, como os de motoboy, até o aluguel de equipamentos”, afirmou Acemel.
A proposta é reduzir despesas consideradas excessivas sem comprometer a qualidade do atendimento nem a posição do Mário Covas como referência regional em procedimentos de alta complexidade. “A extensão dos ajustes será definida após a análise dos dados financeiros e operacionais”, disse Acemel.
Segundo Aldemir Soares, o desequilíbrio financeiro está relacionado, entre outros fatores, à realização de procedimentos acima dos volumes previstos no contrato e ao atendimento de pacientes com quadros clínicos mais complexos do que os considerados no planejamento original.
O orçamento mensal do complexo hospitalar é de R$ 25 milhões. “O Mário Covas faz mais do que deveria dentro do contrato, e isso tem um custo”, afirmou o presidente da FUABC.
Para Aldemir, as diretrizes do contrato de gestão, discutidas há aproximadamente de seis anos, já não refletem integralmente a realidade da unidade. As mudanças na demanda da população e na complexidade dos atendimentos exigem uma atualização do planejamento financeiro e assistencial.
Além de revisar as despesas, a nova gestão também pretende avaliar a produtividade do hospital e adotar medidas para reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias. Ricardo Carajeleascow ficará responsável pelo levantamento dos indicadores assistenciais, previsto para a fase inicial da transição.
“Nos primeiros 30 dias, a prioridade é fazer esse diagnóstico, o que podemos concluir até antes desse prazo. A partir daí, vamos estabelecer medidas para manter o nível de excelência do hospital e melhorar os indicadores assistenciais, tentando diminuir as filas”, afirmou o diretor técnico.
Carajeleascow também defendeu a comparação dos custos dos procedimentos com os de hospitais de complexidade semelhante administrados pela Fundação do ABC. A análise deverá apontar oportunidades para tornar a operação mais eficiente sem comprometer a qualidade da assistência.
Outra frente em análise é a integração entre o Mário Covas e o Hospital Estadual de Diadema, conhecido como Serraria. A proposta de Acemel é avaliar se parte dos procedimentos realizados em Santo André pode ser direcionada à unidade de Diadema, liberando capacidade para atendimentos de maior complexidade. Segundo Aldemir Soares, a discussão depende da Secretaria de Estado da Saúde e da Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), responsável pela regulação dos atendimentos.