- Fala era originalmente voltada à militância e foi ao ar por acidente, sem acesso da imprensa
- ‘Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar’, disse o presidente sobre a 6×1, em discurso a apoiadores
Brasília
O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (7) que sua campanha de primeiro turno neste ano foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. Ele deu a declaração a aliados ao lado do coordenador da campanha, Edinho Silva, que está sendo criticado por petistas pela forma como conduziu o esforço de reeleição de Lula.
“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, declarou o presidente da República.
O discurso de Lula foi parcialmente transmitido pelo canal do PT no YouTube, e a transmissão foi interrompida com a fala em andamento. Depois, outras declarações do presidente foram transmitidas em outra rede social.
A fala era originalmente voltada à militância, publicada para o público geral acidentalmente e expondo um incômodo do presidente já tratado por aliados, sob reserva.
Lula terminou o primeiro turno da eleição presidencial, realizado no último domingo (4), atrás de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O resultado deixou desanimados diversos de seus aliados, e intensificou as disputas internas que já haviam se manifestado em sua equipe de campanha.
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O presidente da República também falou sobre a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso –projeto conhecido como fim da escala 6×1. O texto está na pauta do Senado.
“Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Desafio e a votar favorável e desafio ele a pedir para o PL votar favorável. Porque eles estão inventando uma história: ‘não, é melhor negociar com o patrão’. Como se no acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Nada de aceitar barganha, é reduzir a jornada de trabalho para 5 dias de trabalho e dois de descanso”, declarou Lula.
O petista tem buscado reorganizar seu grupo político e reformular seus discursos na tentativa de virar no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Desde a redemocratização, nenhum candidato a presidente que terminou atrás no primeiro turno conseguiu a vitória na etapa decisiva.
O esforço envolve também um tom mais contundente sobre segurança pública. Lula defendeu a PEC que dá mais poderes para a União na área da segurança pública. “Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui para frente”, disse o chefe do governo e candidato a reeleição
Lula ainda defendeu que, no longo prazo, o campo político de esquerda se reúna em um único partido. Na eleição deste ano, partidos de esquerda como PSOL, PDT e Rede tiveram resultados eleitorais insuficientes para bater a cláusula de desempenho. A cláusula dá ou tira acesso das legendas ao Fundo Partidário e ao tempo de TV.
“Haverá um dia em que a esquerda vai estar em um partido só. É uma questão de maturidade, é uma questão de tempo. Porque muitas vezes a gente não tem divergência programática. A gente tem sustentabilidade de cargo, quem é da direção não quer sair. Isso vale para os partidos e vale para o movimento sindical. Não tem sentido o Brasil ter 6, 7 centrais sindicais”, declarou Lula.