Enfermeira de São Bernardo é a 6ª vítima de feminicídio na região

Elane Amorim Santana foi assassinada pelo ex-marido, Florisvaldo Francisco de Santana, no Jardim João de Barro

A morte da enfermeira Elane Amorim Pacheco Santana, 39 anos, vítima de feminicídio em São Bernardo, provocou forte comoção entre moradores da Rua Ave do Paraíso, no Jardim João de Barro. O crime, ocorrido na noite de domingo (12), é o sexto registrado no Grande ABC neste ano. Segundo vizinhos, a família não apresentava histórico de conflitos.

De acordo com a polícia, Elane foi esfaqueada dentro de casa pelo ex-marido, o eletricista Florisvaldo Francisco de Santana, 38. Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), a vítima já havia solicitado o divórcio, mas ainda morava no mesmo imóvel que o agressor. 

A enfermeira chegou a ser socorrida, com ferimentos no tórax, pescoço e costas, mas não resistiu. O feminicídio ocorreu na frente do filho de 13 anos do casal, que tentou conter o pai e sofreu um corte na mão. Após o crime, o homem tirou a própria vida. 

O motorista de caminhão Daniel Araújo do Nascimento, 43, contou que seu filho, já falecido, era amigo de um dos filhos do casal e descreveu o ambiente familiar como tranquilo. “Via os meninos sempre alegres, brincando. Era uma criança que não demonstrava ter problemas em casa. Para mim, foi uma surpresa”, afirmou.

Segundo Nascimento, a movimentação na rua começou no início da noite, por volta das 19h do domingo, quando moradores perceberam a chegada de viaturas e ambulâncias. 

A mesma sensação de choque foi relatada pelo aposentado Genival de Souza, 63. Ele contou que havia conversado com o eletricista poucas horas antes do crime, em uma troca de mensagens sobre uma lâmpada que queria comprar para casa. “Falei com ele no fim da tarde. Nunca imaginei uma coisa dessas. É algo que você vê na televisão, mas não acredita que vai acontecer perto da gente”, disse.

O aposentado também ajudou no socorro à vítima. Segundo ele, Elane ainda estava consciente nos primeiros momentos após as agressões. “Ela disse que tinha sido esfaqueada. Tentamos ajudar e colocamos ela no carro. Foi tudo muito rápido”, relatou.

A vizinha Angelita da Silva Batista, aposentada, 62, reforçou que não havia sinais de conflitos. “Nunca ouvi nada, nunca vi discussão. Era uma família reservada. Estamos sem acreditar até agora”, disse. Ela também relatou os momentos de desespero após o ataque: “Ela só conseguiu dizer que amava os pais que estavam ali para socorrê-la”, afirmou.

PICHAÇÃO

A repercussão do caso também gerou manifestações na própria rua. A fachada da casa onde o crime ocorreu foi pichada com frases contra a violência de gênero, como “Chega de crimes contra as mulheres” e “Até quando isso?”

O velório de Elane começou na noite de ontem, no Cemitério Santo André, na Vila Humaitá. O sepultamento está previsto para a manhã desta terça-feira (14).

Somente em 2026, o Grande ABC registrou outros cinco casos de feminicídio. Além de Elane, em São Bernardo foram mortas as jovens Cibelle Monteiro Alves, 22, Sabrina Candido Pontes, 24, e Stefany Josepha Siqueira Lopes, 27. 

O primeiro feminicídio contabilizado neste ano na região foi de Cristiane Morais da Silva, 43, em Santo André, em 5 de fevereiro. No dia 18 do mesmo mês, Mariane Lima Alves, 27, foi assassinada a tiros em Diadema. Os acusados são os ex-companheiros.

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