Facção criminosa surgiu em 1993 dentro da Casa de Custódia de Taubaté, conhecida como ‘Piranhão’, que será fechada a partir de julho após mais de 100 anos de funcionamento.
A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), classificada nesta quinta-feira (28) pelos Estados Unidos como organização terrorista, nasceu há mais de 30 anos dentro da Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo. A unidade prisional será fechada a partir de julho deste ano, após mais de um século de funcionamento.
Conhecida como “Piranhão”, a unidade ficou marcada na história do sistema penitenciário brasileiro por abrigar presos considerados de alta periculosidade e por ter sido o local onde, em 1993, detentos criaram uma espécie de “sindicato do crime” para reivindicar melhores condições dentro das prisões. O movimento se transformou no PCC, hoje a maior facção criminosa do país.
O grupo foi criado após o massacre do Carandiru, ocorrido em outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos durante uma ação da Polícia Militar no extinto presídio da capital paulista.
Na época, o então detento Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola — que anos depois se tornou a principal liderança da facção — passou pela Casa de Custódia de Taubaté.
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Casa de Custódia de Taubaté — Foto: Reprodução/Google Street View
Segundo relatos históricos e investigações sobre a origem da organização criminosa, presos da unidade se uniram inicialmente para pressionar o Estado por melhores condições carcerárias e proteção contra abusos dentro do sistema penitenciário.
Com o passar dos anos, o grupo expandiu atuação para dentro e fora dos presídios, passou a controlar rotas do tráfico de drogas e armas e se tornou uma das maiores organizações criminosas da América Latina.
Nesta quinta-feira (28), o governo dos Estados Unidos anunciou que vai incluir o PCC e o Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida entra em vigor no dia 5 de junho.
Em comunicado, o Departamento de Estado americano afirmou que o PCC está entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e apontou atuação internacional da facção.
No Brasil, no entanto, o PCC é tratado juridicamente como organização criminosa, e não como grupo terrorista. Especialistas e integrantes do governo federal afirmam que a facção não se enquadra na legislação brasileira de terrorismo por não possuir motivação ideológica, política ou religiosa.
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Casa de Custódia de Taubaté, no interior de SP — Foto: Reprodução/Street View
Casa de Custódia de Taubaté
A Casa de Custódia de Taubaté será desativada por causa de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que instituiu a Política Antimanicomial do Poder Judiciário e prevê o fechamento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico no país.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os internos serão transferidos para unidades ligadas à Secretaria Estadual da Saúde.
A unidade tem mais de 100 anos e nasceu com a arquitetura típica do início do século passado, com muros altos e paredes largas. Os primeiros detentos foram transferidos da antiga Ilha Anchieta.
Em 1961, a prisão registrou um dos episódios mais trágicos da história do sistema prisional paulista. Presos incendiaram o prédio durante uma tentativa de fuga. Dos 52 detentos que estavam no local, 42 morreram.
Ao longo das décadas, o “Piranhão” ficou conhecido nacionalmente por receber presos famosos, como Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; João Acácio Pereira da Costa, o Bandido da Luz Vermelha; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador.
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Chico Picadinho, Bandido da Luz Vermelha e Pedrinho Matador — Foto: Foto 1: Reprodução/TV Globo | Foto 2: Kleber Tomaz/g1 | Foto 3: Reprodução