Cidade do interior de São Paulo que tinha economia baseada na agricultura, com produtos como laranja e cana, viu realidade ser transformada com a fabricante de aviões.
Nos anos 2000, antes da instalação da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) em Gavião Peixoto (SP), a cidade tinha Índice de Desenvolvimento Humano de 0,597, abaixo da média nacional à época. Mais de duas décadas depois, ela aparece em 1º lugar no Índice de Progresso Social (IPS), que mede qualidade de vida com base em critérios como educação, segurança e oportunidades.
A fabricante de aviões transformou o pequeno município, criado em 1995 e localizado na região de Araraquara, em um polo de inovação tecnológica e desenvolvimento econômico. A Embraer começou a construir sua unidade de negócios militares em Gavião Peixoto em 2001, e concluiu a implantação do complexo em 2006.
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Embora diferentes, os indicadores ajudam a ilustrar a evolução social de Gavião Peixoto ao longo de mais de duas décadas. Entenda no gráfico abaixo a diferença do IDH e do IPS:
- 📊IDH 2000 = 0,597 (média nacional era 0,612)
- 📊IDH 2010 = 0,710 (dado mais recente)
- 📊IPS 2026 = 73,1 (1º do ranking nacional)
🎯 O IPS é uma ferramenta recente, criada na década de 2010, e não possui série histórica para períodos anteriores. Para comparações mais antigas, especialistas recorrem a indicadores como o IDH.
Entenda as diferenças e similaridades entre o IDH e o IPS
| IDH | IPS |
| baseado em renda, educação e longevidade | baseado em renda, educação e longevidademede qualidade de vida (segurança, saneamento, direitos e oportunidades) |
| escala de 0 a 1 | escala de 0 a 100 |
| baseado no Censo (por década) | método recente (a partir de 2010) e anual |
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Pnud Brasil e IPS Brasil
Em 2000, quando ainda dava seus primeiros passos, Gavião Peixoto tinha pouco mais de 4 mil habitantes, segundo o Censo do IBGE. No levantamento mais recente, de 2022, a população chegou a 4.702 pessoas. Ao longo desse período, a trajetória de crescimento da cidade passou a acompanhar a da Embraer.
Em 2023, o município registrou um PIB per capita de R$ 369.126 — o 4º maior do estado de São Paulo e o 11º do país, à frente de capitais.
Antes da instalação da Embraer, a economia local era baseada principalmente na cultura da laranja e da cana-de-açúcar. A chegada da fabricante aeronáutica marcou uma virada no perfil econômico da cidade.
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Embraer de Gavião Peixoto — Foto: Divulgação
Segundo especialistas, a combinação entre população pequena e uma atividade industrial de alto valor agregado, voltada ao mercado internacional, ajuda a explicar o avanço dos indicadores sociais do município. Nesse cenário, políticas públicas e serviços tendem a alcançar a população com mais rapidez, favorecendo melhorias na qualidade de vida.
O diretor de Departamento de Administração da cidade, Eduardo Martins Camurre, concordou que é mais fácil administrar uma cidade pequena e que tenha recursos do que um município de porte médio ou grande, mas com menos recursos.
“Em Gavião Peixoto, com a arrecadação do ISS e o repasse do ICMS, considerando os anos de maior volume de serviços e de maior IPM (Índice de Participação dos Municípios), foi possível implementar políticas públicas que refletiram e refletem diretamente na qualidade de vida da população. Como o IPS Brasil analisa quesitos alinhados a essas ações, o município alcança boas notas”, explicou Camurre.
Ele explicou que uma cidade pequena com uma ou mais indústrias de alto valor agregado, voltada ou não ao mercado internacional, pode ter o IPM baixo se essa empresa não gerar valor adicionado ao município.
“E, consequentemente, o repasse do ICMS será menor, prejudicando o planejamento, a implementação e a execução das políticas públicas”, pontuou.
Como era viver na cidade antigamente
O produtor de conteúdo e professor de teatro José Gobbo Neto, de 38 anos, nasceu em Gavião Peixoto e disse que a cidade é dividida em dois tempos: antes da Embraer era uma cidade que não tinha visão de mundo, sem grandes perspectivas. Com a chegada da empresa, além de oportunidades aos moradores locais, surgiu o incentivo pelo estudo.
“O desenvolvimento da cidade está completamente atrelado à chegada da Embraer e à mudança de comportamento local”, disse o professor.
A administradora e pedagoga Lilian Barsaglini Justino, de 50 anos, mora há 35 na cidade. Ela escolheu Gavião Peixoto pela qualidade de vida que, com a chegada da Embraer, ampliou as perspectivas profissionais e de empreendedorismo.
Para ela, não só Gavião Peixoto como toda a região tiveram um salto de desenvolvimento com a instalação da Embraer. “O que temos aqui em termos de segurança, saúde e educação pública são de excelente qualidade”.