Coragem, aprendizado e sonhos marcam os jovens goleiros que crescem no Grande ABC

Em Santo André, crianças que treinam na escolinha do Flamengo, compartilham os desafios da posição

No futebol, há quem brilhe fazendo gols, mas também existem aqueles que preferem impedir que eles aconteçam. Celebrado no dia 26 de abril, o Dia do Goleiro é uma data dedicada a valorizar uma posição muitas vezes ingrata, mas essencial dentro das quatro linhas. Na Escola de Futebol do Flamengo, sediada no Jardim Cristiane, em Santo André, jovens atletas já entendem, desde cedo, o peso de vestir luvas.

Inspirados por grandes nomes da posição, como Manuel Neuer, Alisson, Weverton, Agustín Rossi, Cássio, Jan Oblak, Thibaut Courtois, Rogério Ceni e Ederson, entre tantos outros, os alunos mostram que, mesmo ainda no início da trajetória no esporte, já carregam grandes sonhos e aprendizados debaixo das traves.

Entre eles está Gabriel Cristiano de Almeida Paula, 12 anos, que destaca sua evolução com os treinos. “Antes eu era bem ruim, agora estou treinando bastante e sinto que estou melhorando muito”, disse.

Diogo Torres Morgado Cassaro, 13, chama atenção para a intensidade do jogo. “Defender o gol é uma adrenalina a mais no campo”, comentou.

Já Felipe Oliveira Vera, 13, relata os desafios constantes que a função exige diariamente. “Às vezes podemos estar ganhando de cinco a zero, mas qualquer lance pode mudar todo o rumo. Várias coisas podem acontecer”, afirmou.

Entre os mais novos, está Bryan Miguel Alves, 9, mostrando que a pressão também faz parte do processo. “Ser cobrado é bem difícil. Eu fico triste com meus erros, mas tento de novo”, disse.

Para o pequeno Enzo Miguel Santos Pereira, 5, a essência do futebol ainda fala mais alto, junto com a diversão: “Eu gosto de pular na bola e defender o gol”, contou ele, que diz ser fã do influenciador Júlio César, conhecido como ‘Goleiro de Capacete’.

FORMAÇÃO

O professor e coordenador Igor Lima Fonseca, 23 anos, diz que trabalhar com goleiros exige uma atenção especial. “A melhor forma de desenvolver a confiança da criança é mostrar que o erro é natural e faz parte do esporte”.

Segundo o profissional, o medo de falhar e de se machucar ainda é um dos principais obstáculos para os atletas mirins.Ídolo do São Bernardo FC e com passagens por Atlético-GO, Mogi Mirim, Sampaio Corrêa, Altos-PI, Red Bull Bragantino e Náutico, o goleiro Alex Alves, 39, deixou um recado para quem deseja seguir na posição. “Nunca desistam, porque ser goleiro exige muita personalidade. É importante aprender a lidar com o erro, continuar treinando e acreditar no próprio sonho”, afirmou.

O Dia do Goleiro surgiu em homenagem ao aniversário do pernambucano Haílton Corrêa de Arruda, o lendário Manga, conhecido por sua coragem e por atuar, inclusive, sem luvas.

Tetracampeão carioca com o Botafogo (1961, 1962, 1967 e 1968), bicampeão brasileiro com o Inter (1975 e 1976) e vencedor da Libertadores e da Copa Intercontinental com o Nacional-URU, em 1971, o ex-atleta, faleceu em 2025. Também defendeu Sport, Operário-MS, Coritiba, Grêmio e Barcelona de Guayaquil-EQU. Pela Seleção Brasileira, disputou a Copa de 1966, na Inglaterra. 

A data reforça a importância de um profissional que, muitas vezes, só é lembrado no erro, mas que é decisivo em muitos momentos do jogo.

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