Como esquema ligado a MCs usava transferências fracionadas para lavar dinheiro

Em um dos exemplos apontados pela investigação, R$ 5 milhões eram transformados em quase 500 operações de R$ 10 mil cada.

Por Fantástico

21/04/2026 03h00  Atualizado há 5 horas

Uma investigação da Polícia Federal revelou que um esquema de lavagem de dinheiro ligado a artistas do funk utilizava transferências fracionadas para ocultar a origem de recursos ilícitos. Entre os alvos da operação estão MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, que foram presos na última semana.

Segundo a PF, o grupo movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de uma rede que misturava ganhos legais — como cachês de shows — com valores provenientes de atividades ilegais, como jogos clandestinos e tráfico de drogas.

De acordo com os investigadores, uma das principais estratégias era dividir grandes quantias em centenas de transferências menores, dificultando a identificação por órgãos de controle financeiro. Em um dos exemplos apontados, R$ 5 milhões eram transformados em quase 500 operações de R$ 10 mil cada.

“Eles acreditam que realizar transações em valor menor também diminuiria os alertas pelos órgãos de controle’, diz Roberto Costa Silva, delegado da PF.

Investigação revela como esquema ligado a MC Poze e Ryan SP usava transferências fracionadas para lavar dinheiro — Foto: Reprodução/TV Globo

Além do fracionamento, o dinheiro circulava por contas de terceiros e empresas intermediárias, criando camadas que dificultavam o rastreamento. A PF afirma que artistas investigados tinham papel relevante nesse processo, ao ceder contas bancárias e dar aparência de legalidade aos valores.

As redes sociais também eram usadas como ferramenta para impulsionar o esquema. Com milhões de seguidores, os MCs promoviam plataformas de jogos ilegais, o que gerava alto volume de movimentação financeira e ajudava a misturar recursos ilícitos com receitas legítimas.

Em um áudio obtido pela investigação, um dos artistas comenta sobre os ganhos com esse tipo de divulgação. Em outro trecho, há negociações de valores que poderiam chegar a R$ 400 mil por dia para publicações relacionadas a jogos.

O esquema também contava com a atuação de um contador, apontado como peça central da operação. Segundo a PF, ele era responsável por estruturar as transações, orientar sobre ocultação de patrimônio e intermediar o uso de criptomoedas para dificultar ainda mais o rastreamento do dinheiro.

A investigação identificou ainda o uso de estabelecimentos comerciais para movimentar valores. Um restaurante em São Paulo, ligado a pessoas próximas a um dos investigados, teria recebido depósitos de mais de 150 pessoas, com quantias consideradas incompatíveis com o serviço prestado.

A operação foi deflagrada em oito estados e no Distrito Federal, com mais de 200 policiais federais. Foram cumpridos mandados de prisão e apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões.

Em nota, a defesa de MC Ryan SP negou irregularidades e afirmou que todas as movimentações financeiras do artista são justificadas por contratos legais. Já os advogados de MC Poze do Rodo também negaram envolvimento em atividades criminosas.

Operação da PF mira MC Ryan e MC Poze do Rodo em investigação sobre esquema bilionário de lavagem de dinheiro — Foto: Reprodução/TV Globo

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