Hypera oficializa protocolo da Semavy na CMED, enquanto mercado de semaglutida ganha novos concorrentes e pressiona preços no Brasil
EMS diz que disponibilizará cerca de 500 mil canetas ao mercado de início • Unsplash
O mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, vive uma rápida transformação.
Pouco mais de três meses após a perda da patente da molécula no país, a Hypera Pharma deu um passo para entrar no segmento ao oficializar, junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o protocolo da Semavy, sua nova caneta injetável. O produto ainda aguarda registro sanitário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O avanço ocorre poucos dias após a EMS iniciar a distribuição do Ozivy, primeiro concorrente nacional da semaglutida original comercializada pela Novo Nordisk nas marcas Ozempic e Wegovy.
A chegada de novos fabricantes já provoca impactos no mercado. Nesta semana, a Novo Nordisk anunciou um desconto de até 59% no preço de suas canetas para tentar viabilizar a incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ao mesmo tempo, estados como Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal estudam programas próprios para ampliar o acesso ao tratamento.
Para o médico Gustavo Sá, especialista em emagrecimento, o aumento da concorrência pode representar uma mudança importante no acesso aos medicamentos.
“A obesidade nunca foi uma questão estética, sempre foi uma doença crônica grave. Até hoje, o tratamento no SUS era polarizado: ou orientação nutricional básica, ou a fila da cirurgia bariátrica, que demora anos. As canetas preenchem esse ‘meio-termo”, afirma.
Apesar de reproduzirem a mesma molécula ativa da semaglutida, os produtos nacionais não são classificados como genéricos. Segundo o nutrólogo Sandro Ferraz, isso ocorre porque utilizam uma rota de fabricação diferente da empregada pela Novo Nordisk.
“A semaglutida original da Novo Nordisk é um peptídeo produzido por rota biotecnológica, ou seja, através de fermentação e biologia molecular. Já as indústrias nacionais, como a EMS e a Hypera Pharma, reproduzem a exata mesma molécula ativa, mas por síntese química”, explica.
Mesmo assim, a concorrência já pressiona os preços. Enquanto o Ozempic pode custar entre R$ 825 e R$ 1.100 nas farmácias, o Ozivy chegou ao mercado com valores entre R$ 452 e R$ 497, além de programas de adesão que reduzem ainda mais o custo para parte dos pacientes.
Especialistas destacam que o tratamento continua exigindo acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida e uso contínuo para evitar o chamado efeito rebote, com recuperação do peso perdido após a interrupção da medicação.