Bebê que morreu em creche ficou preso em grade por seis minutos antes de ser socorrido em SP, aponta investigação

Imagens de câmeras de segurança mostram que Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, tentou se soltar sozinho na creche Luz do Brás, na região central da capital. Família questiona demora no socorro.

As imagens das câmeras de segurança da Creche Luz do Brás, no Brás, região central de São Paulo, mostram que Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, ficou preso por cerca de seis minutos antes de ser socorrido por funcionárias da unidade, na manhã de quarta-feira (22). O menino morreu após prender a cabeça entre uma barra de ferro e um espelho durante uma atividade recreativa.

Segundo a investigação da Polícia Civil, o bebê estava em uma sala multiuso com outras crianças quando deitou no chão e colocou a cabeça no vão entre a barra metálica que protege um espelho e a parede.

As gravações mostram que ele tentou se desvencilhar durante aproximadamente seis minutos, mas só foi retirado quando monitoras perceberam a situação.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20, depois de ser abordada por funcionárias da creche que saíam da unidade carregando a criança no colo. Abdoulaye foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, mas não resistiu.

Abdoulaye Dieng de 1 ano e 4 meses e o pai dele. A família é natural do Senegal.

O boletim de ocorrência relaciona cinco profissionais da creche entre os investigados, incluindo coordenadoras, diretora e pedagogas (leia mais abaixo).

O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás).

Imagem simula local onde criança colocou a cabeça no vão entre a barra de ferro e o espelho na creche no Brás. — Foto: Reprodução/TV Globo

Imagem simula local onde criança colocou a cabeça no vão entre a barra de ferro e o espelho na creche no Brás.

Investigação

A Polícia Civil preservou o local para perícia do Instituto de Criminalística e solicitou exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML), que deve apontar a causa da morte.

O boletim de ocorrência relaciona cinco profissionais da creche entre os investigados, incluindo coordenadoras, diretora e pedagogas. Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia sido preso.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que “policiais militares que realizavam patrulhamento pela região foram abordados por funcionários da creche, que já estavam socorrendo a criança à UPA Mooca”.

Já a a Secretaria Municipal de Educação (SME) lamentou profundamente o ocorrido e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e disse que equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) estão prestando o suporte necessário à família.

“As circunstâncias da ocorrência no CEI parceiro Luz do Brás estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes. A secretaria colabora integralmente com as investigações e adotará todas as providências cabíveis após a conclusão da apuração dos fatos.”

“A criança deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca na manhã desta quarta-feira (22), onde recebeu atendimento da equipe médica. Apesar de todos os esforços assistenciais, o óbito foi confirmado na unidade, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).”

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