Entre memórias de 1997 e a expectativa para 2026, seu público mostra como artista atravessou décadas
No ano em que a cultura latina ganha projeção global, com o show do cantor porto-riquenho Bad Bunny na NFL (Liga de Futebol Americano, na sigla em inglês), a volta da colombiana Shakira ao Brasil sintetiza esse movimento. Neste sábado (2), a artista com cerca de três décadas de carreira será a estrela do Todo Mundo No Rio, com um espetáculo gratuito que deve reunir entre 2 milhões e 2,5 milhões de pessoas na Praia de Copacabana. A estrutura impressiona: palco de 1.345 metros quadrados, passarela de 25 metros e telões de LED de 45 m², projetados para dar dimensão a um show que percorre toda a trajetória da cantora, dos primeiros sucessos em espanhol aos hits globais. Uma realidade completamente diferente de seus primeiros passos em Santo André.
Era 1997 quando a turnê Pies Descalzos, de seu disco de estreia, passou por cidades como São Paulo, Belém e o próprio Rio de Janeiro, sendo um início para a consolidação da artista internacionalmente. O repertório incluía as faixas Quiero, Un poco de amor, Te espero sentada, Pies descalzos, Sueños Blancos, Pienso en ti, Antología, Se quiere, se mata, Te necesito, Estoy aquí, Magia, Tú serás la historia de mi vida e ¿Dónde estás corazón?. Mesmo passando pelas principais cidades do Brasil, a cantora também se aventurou para fora das capitais, com espetáculos em municípios como Mogi das Cruzes, Campinas e até uma visita ao Grande ABC, com show realizado no Clube Atlético Aramaçan, na cidade andreense, em 30 de março de 1997.
A artesã Luanda Silva, 44 anos, é uma das pessoas que viram a artista ainda no início da carreira, na cidade do Grande ABC. Ela relembra que “foi maravilhoso porque eu já era muito fã dela”, e cita a proximidade do palco no Clube Aramaçan. Segundo Luanda, a artista cantou com o público, “olhando para a gente tão pertinho, batemos mão com mão”. Na época, a entrada veio de forma inesperada, ela não morava em Santo André e sim na Capital, e foi ao show depois que a mãe, que é PcD (Pessoa com Deficiência), ganhou um par de ingressos, já que a casa fazia distribuição de entradas ao grupo. Atualmente, ela reside no Porto de Galinhas, em Pernambuco.
produtor Carlos Alessandro Prozzo, responsável por apresentações da cantora em Santo André e São Paulo nos anos 1990, lembra de uma artista ainda desconhecida do grande público. “Muito simples: baixinha, cabelinho aparadinho. Não lotou, deu entre 1.500 e 2.000 pessoas, de uma capacidade de cerca de 3.590”, diz, ao citar um cachê de cerca de oito mil dólares na época. Para efeito de comparação, Shakira teria recebido 2 milhões de dólares para cantar na final da Copa América de 2024, segundo o jornalista argentino Juan Etchegoyen, do programa Mitre Livre. Prozzo traça um paralelo dos valores de 1997 com os números atuais e resume: “era aquela pessoa que veio para mostrar um trabalho, começo de carreira mesmo.”
Se em 1997 o público era restrito e a apresentação intimista, em 2026 a expectativa é de um espetáculo monumental. Quem vai vivenciar essa nova fase é o analista de marketing Eduardo Moreno, 25, morador de Santo André. Ele nunca viu a artista ao vivo, mas construiu admiração pela trajetória da artista. “Sempre me chamou atenção a inteligência dela, o fato de ser fluente em várias línguas e a forma como construiu uma carreira internacional tão sólida”, afirma. A viagem ao Rio surgiu como passeio, mas virou oportunidade única. “Quando percebi que conseguiria conciliar com o show, achei que seria a combinação perfeita”, diz Moreno, que aponta um investimento entre R$ 1.000 e R$ 1.500, encarado como experiência especialmente pela expectativa de ouvir o hit como Hips Don’t Lie ao vivo.
DICAS
Para quem pretende acompanhar o evento em Copacabana, o Santander, patrocinador do show, orienta atenção redobrada. Como a apresentação é gratuita, não há venda de ingressos – qualquer oferta deve ser vista com desconfiança. Em caso de perda ou roubo de cartões, a recomendação é usar o bloqueio imediato pelo aplicativo ou internet. Também é indicado ajustar limites de Pix, ativar notificações de segurança e priorizar pagamentos por aproximação, evitando entregar os itens a terceiros. Outra dica é utilizar carteiras digitais, reduzindo a necessidade do cartão físico.