Santo André planeja videomonitoramento sofisticado que vai custar R$ 40 milhões

Santo André deu início a um dos mais importantes investimentos na segurança pública dos últimos anos. Depois de ter montado o COI (Centro de Operações Integradas) agora o município quer dar uma injeção maior de tecnologia e infraestrutura para melhorar os índices de criminalidade. O projeto Nexus é mais do que uma central de monitoramento, é um sistema complexo que vai usar a inteligência artificial para analisar as imagens capturadas pelas câmeras e dar uma resposta mais rápida das forças policiais. Após conversa com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania) deve ter do Estado grande parte dos recursos necessários para implantar o projeto, cujo orçamento pode beirar o R$ 40 milhões.

Gilvan e Tarcísio estiveram bem próximos em vários momentos da Caravana 3D do governo do Estado, na última semana no ABC. Entre os anúncios e entregas da atividade de governo, os dois anunciaram também o Nexus em publicação nas redes sociais do prefeito. “Vai ser o Centro de Operações Integradas mais tecnológico do Brasil, o Nexus, um espaço de monitoramento com inteligência artificial, que vai criar uma verdadeira muralha de segurança em Santo André. E será tudo integrado; transporte coletivo, Defesa Civil, Samu, mas principalmente, segurança pública. Isso é um avanço, um compromisso de campanha e a gente tem certeza que vai melhorar ainda mais os índices de segurança em Santo André, que a população precisa”, disse Gilvan na sua rede social ao falar do projeto.

Segundo semestre

O secretário de Inovação e Tecnologia da Prefeitura, Diego Cabral, explicou ao RD que o projeto deve ser anunciado por Gilvan Ferreira no segundo semestre, com a publicação dos editais de licitação. Serão dois editais, um para a obra do prédio e outra para equipar todo o complexo. A prefeitura quer construir o prédio do Nexus no terreno do Gero Parque, na Vila Guiomar, uma área degradada, local de concentração de moradores de rua e usuários de drogas que a prefeitura quer revitalizar, levando para o local um data center de dados das câmeras de monitoramento, para valorizar a região.

“O projeto é uma resposta para a segurança com uso de tecnologia que vai reunir não apenas a segurança pública, mas a Defesa Civil, o Samu e o trânsito. O prefeito quer também usar o Nexus como ferramenta de planejamento. Tudo isso bem utilizado vai deixar a cidade mais rápida e segura”, explica Cabral.

A área do terreno do Gero Parque tem cerca de 4 mil metros quadrados e vai dar lugar a uma construção de aproximadamente 1.680 metros quadrados, que terá três pavimentos, sendo o primeiro uma área para reuniões, no segundo o sistema do COI e no terceiro vai funcionar o planejamento urbano, segundo detalha o secretário. “A estratégia de usar aquela área é porque ela fica na divisa com São Bernardo, vai facilitar o monitoramento naquela área e ainda vai dar uma resposta do prefeito para aquela área, já que ee prometeu revitalizar aquela região que era ocupada por moradores de rua e usuários de drogas”, explica o secretário.

Segundo Cabral, o governo paulista deve financiar grande parte do novo equipamento através da Desenvolve SP, o restante fica por conta dos cofres municipais, porém o secretário acredita que há grande chance do Estado arcar com 100%, tendo como contrapartida o uso do espaço para convênios importantes, por exemplo na área da Defesa Civil ou na de previsão meteorológica. “Vai ser o equipamento regional mais moderno em uma área muito importante do Estado o que abre porta para parcerias e convênios importantes. O governador veio aqui e anunciou recursos para o córrego Taioca e outra parte para o Nexus, mas o aporte pode chegar a 100%”, destaca.

Perto de R$ 40 milhões

Ainda não há uma estimativa oficial de quanto o Nexus irá custar ou quando as obras começam, já que a licitação ainda vai ser lançada, porém, segundo o secretário de Inovação e Tecnologia, o montante investido deve chegar perto de R$ 40 milhões. “Olhando para os modelos de monitoramento de outras cidades da região, podemos estimar que o investimento vai ficar entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões. Em São Caetano o Smart Sanca, é o que mais se aproxima, porém em uma escala menor, em um prédio alugado, mas é mais ou menos o que a gente pensa, só que maior. Lá custou cerca de R$ 20 milhões, aqui estamos na etapa de orçamentação e de estabelecer o cronograma de obras”, diz.

Quando estiver pronto o Nexus vai substituir o COI que, segundo Cabral, já traz bons resultados. “O COI hoje é um mini-Nexus, reunindo as duas polícias e a nossa GCM (Guarda Civil Municipal) e hoje já conseguimos números em queda”, diz referindo-se aos índices criminais. “Na parceria com o programa Muralha Paulista, nós aumentamos de 36 para 146 as câmeras que fazem a leitura de placa de veículos, com isso subiram as prisões e a recuperação de veículos. Assim o criminoso se quiser apostar ele pode até ser preso todo dia se insistir em roubar aqui”, comenta.

Gilvan Ferreira trouxe a proposta do Nexus de suas viagens à China. “Em Xangai ele viu um sistema assim com boas respostas”, disse Diego Cabral, cuja pasta vai comandar o complexo tecnológico quando estiver pronto. Enquanto o Nexus é um projeto que, por enquanto, ainda carece do estudo econômico e da licitação na praça, a prefeitura já anunciou a instalação de mais 900 câmeras de monitoramento.

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