Ex-vereador de Santo André Thiago Rocha é preso por suposto envolvimento com o PCC

Detenção temporária por 30 dias ocorreu nesta segunda em prédio de escritórios na Av. Brigadeiro Faria Lima, na Capital

O ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula é um dos seis presos pela Polícia Civil de São Paulo no escopo da Operação Contaminatio. A ação objetivou desarticular uma organização criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que se infiltrava em prefeituras e outras órgãos públicos para lavar dinheiro obtido principalmente com o tráfico de drogas.

Além das prisões, a ação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.

As diligências, conduzidas pela Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, ocorrem contra investigados que residem nas cidades, de Santo André, São Paulo, Guarulhos, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto, Santos, Goiânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília (DF) e Londrina (PR).

A Contaminatio é desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024, quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos que revelaram um complexo sistema de movimentação financeira ilícita.

Segundo as investigações, a quadrilha teria avançado na criação de um “núcleo político”, com o objetivo de acessar recursos públicos e ampliar sua atuação. Entre as estratégias, estava a tentativa de influenciar eleições, com apoio ou financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização.

“O que se apurou foi uma estrutura sofisticada, que buscava não apenas lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas do poder público para potencializar esses ganhos e dar aparência de legalidade aos recursos”, afirmou o delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação.

Thiago Rocha, historiador, cientista político e criador da Escola de Governo de Santo André, terceiro suplente do PSD em 2022, assumiu a vereança por 20. A defesa do ex-vereador não foi localizada. A prisão é temporária com duração de 30 dias.

A prisão ocorreu às 10h21 desta segunda-feira (27) em um edifício de escritórios na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Capital.

Em nota, a Câmara de Santo André informou que o investigado exerceu mandato no período de 5 a 25 de maio de 2022, em virtude de licenciamento do titular da cadeira. Desde então, não mantém qualquer vínculo funcional ou político com a Casa Legislativa.

“Durante o breve período em que esteve no exercício do mandato, Thiago Rocha de Paula não participou de processos de contratação, licitação ou decisões estratégicas de competência administrativa da Câmara de Santo André”, informou a assessoria do Legislativo.

A assessora do Parlamento ainda informou que os registros funcionais e administrativos da Câmara estão à disposição dos órgãos de controle e de investigação para consulta a qualquer tempo.

Procurada, a Prefeitura de Santo André informou que não possui qualquer contrato vigente com empresas ou pessoas físicas cujos nomes tenham sido cintados na Operação Contaminatio. O governo municipal ainda disse que mantém rotinas permanentes de controle e fiscalização, segue à disposição das autoridades e reforça seu comprimisso com a legalidade, transparência e rigor na gestão dos recursos públicos.

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