Condenado por matar a ex-mulher: investigação revela a vida paralela do brasileiro que fugiu para o Paraguai há décadas

Condenado pela Justiça, Marcos Campinha Panissa usava identidade falsa e levava vida comum no país vizinho; ele assassinou a ex-companheira em 1989, em Londrina, no Paraná.

O brasileiro Marcos Campinha Panissa foi preso no Paraguai após passar mais de três décadas foragido da Justiça brasileira. No país vizinho, ele vivia sob a identidade falsa de José Carlos Vieira, usando documentos obtidos de forma irregular e levando uma rotina considerada comum pelas autoridades. Panissa era procurado pelo assassinato da ex‑mulher.

O homicídio aconteceu em agosto de 1989, em Londrina, no interior do Paraná. Segundo as investigações, Panissa atacou Fernanda Estruzani dentro do apartamento dela. O crime foi marcado por extrema violência: ela foi atingida por 72 golpes de faca. À época, o assassinato gerou forte comoção na cidade e foi classificado pela acusação como um crime de motivo torpe, cometido de forma cruel e inesperada.

“Odeio a mim mesma. Pensar que um dia amei ele como a um filho e receber essa traição que despedaçou o meu coração”, disse à época Dona Terezinha Estruzani, mãe de Fernanda.

Mesmo tendo sido condenado em julgamentos anteriores, ele respondeu em liberdade e desapareceu em 1995, pouco antes de um novo júri. Anos depois, a Justiça o julgou à revelia, já que a legislação passou a permitir esse tipo de procedimento em casos de homicídio. A pena estabelecida foi de 19 anos e seis meses de prisão.

O nome de Marcos Campinha Panissa foi parar na difusão vermelha da Interpol, a lista dos criminosos mais perigosos do mundo.

A vida no Paraguai

Durante o período em que esteve foragido, o homem deixou o Brasil e se estabeleceu no Paraguai, onde construiu uma nova rotina. Ele usava um nome falso e, segundo as investigações, entrou no país de forma irregular. Ainda assim, conseguiu reunir bens e manter negócios no interior paraguaio.

As autoridades locais apontam que ele viveu por muitos anos entre diferentes cidades do país, levando uma vida discreta. Investigações indicam que ele chegou a formar uma nova família durante o período em que esteve escondido no exterior.

Vídeos exclusivos obtidos pelo Fantástico mostram a vida de Panissa no Paraguai.

Prisão e pena

A prisão ocorreu após um trabalho de inteligência que permitiu identificar o paradeiro do condenado, em San Lorenzo, na região metropolitana de Assunção, capital do Paraguai. Agentes paraguaios realizaram a abordagem e efetuaram a detenção sem resistência. Após os procedimentos locais, ele foi entregue às autoridades brasileiras em uma operação de cooperação internacional.

Com a captura, o condenado passou a cumprir a pena que já havia sido imposta pela Justiça do Paraná. De acordo com o Ministério Público, os dias de prisão já começaram a ser contabilizados no tempo total da condenação.

A defesa informou que pretende apresentar recursos para tentar rever a pena, com base em decisões anteriores do processo. No entanto, representantes da acusação afirmam que o caso é emblemático.

“Demonstra que o passar do tempo não fez com que crime caísse no esquecimento”, afirma Susana de Lacerda, promotora de Justiça no Paraná.

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