Trump chama Leão XIV de ‘fraco’ e ‘péssimo’; Papa reage e diz que vai seguir firme contra a guerra no Oriente Médio

Os ataques do presidente dos Estados Unidos contra o pontífice, especialmente os desta segunda-feira (13), repercutiram em várias partes do mundo.

Depois do fracasso nas negociações de paz com o Irã, o presidente dos Estados Unidos decidiu atacar, publicamente, o Papa. Donald Trump o chamou de fraco e péssimo em política externa. Leão XIV reagiu. Respondeu que não tem medo do governo Trump; disse que não vai recuar e afirmou que a missão da Igreja é defender a paz.

Eram 3h, no horário de Roma, quando o presidente dos Estados Unidos atacou publicamente. O alvo era o Papa Leão XIV, americano de Chicago. Donald Trump chamou o Papa de fraco e disse que ele é péssimo em política externa. Criticou suas posições sobre guerra, segurança e armas nucleares:

Não quero um Papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela”.

Donald Trump disse que a Venezuela envia drogas e libera criminosos:

“Eu não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou fazendo exatamente aquilo para o qual foi eleito” – uma referência à operação militar que capturou o ditador Nicolás Maduro, em janeiro de 2026.

Afirmou que, sem ele na Casa Branca, Leão XIV não estaria no Vaticano, e que o Papa foi escolhido por ser americano.

Uma segunda postagem trouxe uma imagem gerada por inteligência artificial em que o presidente aparecia como Jesus Cristo, curando um doente. Horas mais tarde, Trump apagou a imagem. Por volta das 14h, disse que era uma referência ao trabalho da Cruz Vermelha:

Eu estava como um médico, ajudando as pessoas. O Papa é contrário à posição americana no Irã e os Estados Unidos não podem aceitar um Irã com armas nucleares. Não tenho o que me desculpar”, disse Trump.

A resposta do Papa veio durante o voo para a África:

“Não tenho medo do governo Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho”.

O Papa disse que não vai recuar e que a missão da Igreja é defender a paz:

“A mensagem do Evangelho – bem-aventurados os pacificadores – é o que o mundo precisa ouvir hoje. E continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”.

O Papa também foi perguntado sobre o fato de Donald Trump ter feito os ataques por meio de uma rede social criada pelo presidente em 2022: a Truth Social. “Truth” quer dizer “verdade”:

“É irônico, o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada”, completou o Papa.

A tensão entre Trump e o Papa já vinha aumentando nas últimas semanas, em meio à guerra no Oriente Médio. Na terça-feira (7), Donald Trump escreveu que ou o Irã aceitava um cessar-fogo ou uma civilização inteira morreria naquela noite. O Papa se posicionou:

“Essa ameaça contra o povo do Irã é verdadeiramente inaceitável”, disse Leão XIV.

Os ataques de Trump, especialmente os desta segunda-feira (13), repercutiram em várias partes do mundo. Nos Estados Unidos, bispos católicos defenderam o Papa e classificaram a guerra como injusta. Na Europa, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chamou as declarações de Trump de “inaceitáveis”. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que, enquanto alguns espalham guerras, o Papa promove a paz. No Oriente Médio, o presidente do Irã falou que a profanação da imagem de Jesus não é aceitável para nenhuma pessoa livre. No Brasil, a CNBB também manifestou apoio e defendeu a mensagem de paz e diálogo.

Leão XIV chegou nesta segunda-feira (13) a Argel, primeira parada de uma viagem por quatro países africanos, e manteve o tom:

“Hoje isso é mais urgente do que nunca, diante das violações do direito internacional e das tendências neocoloniais”.

O episódio reforça o carisma do Papa Leão XIV em um momento de grande tensão internacional, enquanto se busca reduzir o conflito no Oriente Médio e garantir segurança no Estreito de Ormuz. Nesse cenário, o Vaticano volta a ocupar um papel central na defesa da diplomacia e da paz.

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