“Se tiver 15% ótimo”: fala de Kassab incomoda aliados de Caiado

Declaração de dirigente do PSD indica barganha no 2º turno

A declaração do presidente nacional do PSDGilberto Kassab, de que seria “ótimo” se o ex-governador Ronaldo Caiado alcançasse 15% dos votos na eleição presidencial de 2026 causou incômodo entre aliados do governador goiano.

Em conversas reservadas, integrantes do entorno de Caiado avaliam que a fala reduz a ambição da pré-candidatura e passa a mensagem de que o projeto poderia servir mais como instrumento de negociação no segundo turno do que como uma disputa direta pelo Palácio do Planalto.

Durante participação no 12º Fórum Anual de Investimentos do Bradesco BBI, Kassab afirmou que considera importante a presença de Caiado na disputa presidencial como alternativa à polarização política no país, ainda que a candidatura não chegue à fase final da eleição.

“É muito importante para o Brasil ter essa alternativa. Nem que fosse para perder”, disse.

Na sequência, o dirigente do PSD afirmou que vê possibilidade de Caiado chegar ao segundo turno, mas mencionou também um cenário em que o ex-governador não avance na disputa.

“Nós precisamos mostrar, para quem não quer isso [polarização], que tem a alternativa. Vão falar: ‘Mas não vai para o segundo turno’. Bom, mas, se não for para o segundo turno, e eu acho que pode ir, mas, se tiver 15%, ótimo. São 15% que nós vamos chamar alguém, porque essa alternativa ela é séria, e falar: ‘olha, nós vamos apoiar porque nós queremos isso, isso, isso’”, completou.

Nos bastidores da pré-campanha, aliados de Caiado afirmam que a declaração pode prejudicar a estratégia de tentar apresentar o ex-governador como opção competitiva à polarização nacional. A avaliação é que um pré-candidato precisa demonstrar intenção de chegar ao segundo turno, e não estabelecer metas eleitorais mais modestas meses antes do início formal da campanha.

Publicamente, no entanto, Caiado evitou ampliar a tensão dentro do próprio partido. Questionado por jornalistas nesta terça-feira (7), após participar do Congresso Estadual de Municípios do Estado de São Paulo, o governador classificou o momento como início da construção da candidatura.

“Isso é uma arrancada, é um começo de discussão”, afirmou.

O ex-governador de Goiás disse ainda acreditar que pode romper a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Então, se amanhã vai ser 15%, 20%, 25%, 30%, eu só tenho uma certeza: eu vou para o segundo turno, vou ganhar do Lula e vou governar o Brasil.”

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