Na Alesp, Ana Carolina, Atila, Carla Morando e Oseias de Madureira trocam de sigla; na Câmara Federal, Fernando Marangoni ingressa ao Podemos
A janela partidária encerrada na sexta-feira resultou na movimentação de quatro deputados estaduais e um federal com redutos no Grande ABC. Nessa dança das cadeiras, o União Brasil perdeu seus dois representantes na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) e no Congresso Nacional, cenário oposto ao do PL ampliando de um para dois nomes locais no Legislativo paulista. Enquanto isso, PSDB e PSD perderam e ganharam um assento cada, mantendo-se estável na região, e o PRD passa a ter um parlamentar.
O Grande ABC tem nove deputados estaduais com redutos e emendas para região, e outros três parlamentares na Câmara Federal, dos quais apenas Fernando Marangoni mudou de agremiação. No mapa partidário, o PT não sofreu mudanças e segue com quatro legisladores, sendo três na Alesp e um em Brasília. O PL, que já contava com o deputado estadual Thiago Auricchio, ganhou mais um representante na Casa: Oseias de Madureira. O PSDB perdeu Carla Morando – agora no PSD – e recebeu Ana Carolina Serra no Parlamento paulista, que também viu Atila Jacomussi ir ao PRD.
A janela partidária teve início em 5 de março, abrindo um período no qual deputados estaduais, federais e distritais pudessem trocar de partido sem o risco de perder o mandato. O primeiro na região a mudar de ares foi o deputado estadual Oseias de Madureira, que deixou o PSD para se filiar ao PL. Segundo a assessoria do parlamentar – também pastor e presidente da Assembleia de Deus Madureira em São Bernardo –, a decisão se deu por um novo projeto político voltado à reeleição, em alinhamento com as lideranças da igreja.
Uma saída já desenhada há meses foi de Carla Morando da bancada do PSDB na Alesp, por causa dos atritos políticos entre Orlando Morando (MDB), marido e pré-candidato a deputado federal, com o presidente estadual da sigla tucana, Paulo Serra, que também vai concorrer a uma das 70 cadeiras da bancada paulista em Brasília. A filiação da legisladora, com candidatura certa para reeleição, ao PSD ocorreu em 1º de abril, acompanhada do emedebista e do mandatário nacional da legenda, Gilberto Kassab.
PSD foi justamente o partido que mais cresceu na Alesp, na medida que puxou ao todo sete deputados estaduais eleitos pelo esvaziado PSDB. Com esse cenário, a legenda de Kassab passou a ter a terceira maior bancada na Casa, com 11 parlamentares, atrás somente de PL, com 22 cadeiras, e PT, 18. Por sua vez, os tucanos, que ainda perderam Bruna Furlan para o Republicanos, tiveram como atenuante a vinda de Ana Carolina Serra, mulher de Paulo Serra, após deixar o Cidadania.
Com o sonho de voltar a ser prefeito de Mauá, cargo que exerceu entre 2017 e 2020, Atila deixou o União Brasil ao sentir que não teria sua candidatura à reeleição como prioridade no partido. Desse modo, o seu destino foi o PRD, conforme noticiado pelo Diário. A busca pelo terceiro mandato na Alesp é vista como fundamental para o deputado vir forte na eleição pelo Paço mauaense em 2028.
CÂMARA FEDERAL
Na bancada de deputados federais do Grande ABC – composta também por Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), e Alex Manente (Cidadania) –, Marangoni deixou o União Brasil para se filiar ao Podemos. O partido, sob o comando da também parlamentar Renata Abreu (SP), quase dobrou sua bancada na Câmara Federal nesta última janela de transferência partidária, passando de 15 para 27 cadeiras ocupadas.
No cenário geral, o União Brasil foi o que mais saiu perdendo nesse período de mudanças de partido. A legenda garantiu, nas eleições de 2022, 59 assentos na Câmara, mas perdeu 16 representantes nas suas fileiras. Na outra ponta, o PL, do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (RJ), foi o maior vitorioso na janela, saltando de 87 para 101 parlamentares. Já o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segue como o segundo maior partido da Casa, agora com 66 deputados.