Evento realizado no Centro de Excelência da modalidade, na Arena Caixa, foi promovido pela Federação Paulista de Judô e Secretaria de Esportes da cidade integrou as ações do Dia Internacional da Mulher
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, vai além das comemorações. É um marco de luta, conscientização e enfrentamento à violência de gênero. Em São Bernardo, a data também foi marcada por esporte, protagonismo e representatividade: 320 mulheres entraram no tatame do Centro de Excelência de Judô, na Arena Caixa, para disputar a 2ª Copa Judô Para Elas.
Organizado pela Federação Paulista de Judô em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, o evento reuniu atletas de diversas entidades do Estado e reforçou o papel do esporte como ferramenta de igualdade, respeito e empoderamento feminino.
Para a pequena Juliana Oliveira da Silva, o dia teve um significado ainda mais especial. Neste 8 de março, a atleta de São Mateus, na zona leste da capital paulista, comemorou seu aniversário de 8 anos fazendo o que mais gosta. “Luto judô há quase dois anos porque queria aprender mais e me defender. Estou feliz em estar aqui, porque encontrei onde quero ficar”, contou.
A mãe, Neuda Oliveira, emocionada, destacou a importância do esporte na vida da filha. “A Juliana é superação. Eu tive câncer de mama e, de certa forma, minha filha me deu um fôlego de vida. Ela sempre teve problema de obesidade e se sentia excluída em outros esportes. No judô encontrou respeito. Aprendeu que o peso não limita quem ela é. Antes tinha medo de ser julgada, e aqui ela aprendeu a se aceitar”, relatou.
O evento contou com a presença do prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima, que ressaltou a importância da iniciativa.
“É uma competição feita de mulheres para mulheres, com arbitragem totalmente feminina, mostrando que elas podem estar onde quiserem. Mais do que uma disputa esportiva, este é um momento de reconhecer a força e o protagonismo feminino. Parabenizo a Federação Paulista de Judô por valorizar as mulheres no esporte”, afirmou.
Também participaram do evento o secretário municipal de Esportes e Lazer, Fran Silva, o presidente da Federação Paulista de Judô, Henrique Guimarães, e a primeira-dama da entidade, Andréa Guimarães. A campeã mundial de jiu-jitsu Rebeca Bem-Te-Vi, de 11 anos, também prestigiou a competição. “Ver esse ginásio lotado mostra que podemos fazer o que quisermos e sermos respeitadas por isso. Nossa cidade está de parabéns por apoiar um evento como esse”, disse.
RESISTÊNCIA – Entre as histórias que inspiram as novas gerações está a da judoca Soraia André, integrante da primeira equipe paulista de judô feminino. No início de sua trajetória, ela chegou a ser impedida de competir. Até 1979, uma legislação brasileira assinada em 1941 pelo então presidente Getúlio Vargas limitava a participação das mulheres em diversas modalidades esportivas. Durante o regime militar, em 1965, novas regras reforçaram a segregação do esporte feminino no país.
Soraia não desistiu. Lutou — dentro e fora do tatame — pelo direito de competir. Entre 1983 e 1991 conquistou três medalhas nos Jogos Pan-Americanos e oito medalhas no Campeonato Pan-Americano de Judô, além de alcançar o quinto lugar nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
Hoje integrante da Comissão de Mulheres da Federação Paulista de Judô, ela se emociona ao ver o Centro de Excelência de São Bernardo cheio de atletas. “Olhar esse tatame hoje é uma conquista. O que deixamos para o esporte é resistência e enfrentamento. Muitas atletas ainda precisam superar barreiras para permanecer no esporte, mas sempre digo a elas: desistir jamais”, afirmou.