- Operação tem potencial de escalar a crise no STF
- Deputado é investigado por “tráfico de influência junto a tribunais superiores”; ele não foi encontrado para comentar
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14/9) a terceira fase da Operação Transparência, cumprindo mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal.
Um dos principais alvos é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Ele é amigo e aliado do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e quem articulou um encontro reservado entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, a Operação Transparência 3 foi feita para “apurar tráfico de influência junto a tribunais superiores”.
A decisão foi do ministro do STF Flávio Dino, para aprofundar também investigação sobre “possíveis práticas dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro”.
A operação tem potencial para escalar ainda mais a crise no STF, dada a proximidade de Cezinha de Madureira com Mendonça.
Na nota divulgada nesta segunda (14), a PF afirma que “não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados”. A polícia não pode investigar ministros do STF sem autorização da própria Corte.
A advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha de Madureira, também é alvo da operação. A PF fez buscas no apartamento dela em SP.
Em agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil em dinheiro vivo em uma bagagem que Valeria Linhares levava na mão.
Os advogados dela afirmam que vão pedir vista do processo para depois se manifestar.
A ação, segundo a PF, é desdobramento de investigação iniciada em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
“As investigações apontam que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais”, diz a PF.
André Mendonça confirmou ter se reunido uma vez com o banqueiro Daniel Vorcaro, em março de 2025.
Seu gabinete afirmou, na época, que o encontro tratou de créditos de precatórios de interesse do Banco Master. Disse ainda que o ministro “se limitou” a ouvir o empresário e votou contra seus interesses no caso.
A reunião ocorreu antes de Mendonça assumir a relatoria do caso Master no Supremo, em fevereiro de 2026.