Dados da Aneel mostram que tempo médio de resposta emergencial caiu de 12h39 para 5h06 nos períodos de janeiro a julho de 2023 e 2026; distribuidora passou da terceira pior média para a quinta melhor entre 33 empresas
A Enel Distribuição São Paulo reduziu em 59,7% o tempo médio de atendimento a emergências entre os sete primeiros meses de 2023 e o mesmo período de 2026, segundo levantamento da reportagem com dados disponibilizados pela (Aneel) Agência Nacional de Energia Elétrica.
O tempo caiu de 759 para 306 minutos, ou de 12 horas e 39 minutos para 5 horas e 6 minutos. A diferença representa cerca de sete horas e meia a menos por ocorrência, em média, nos períodos comparados.
Na comparação feita pela reportagem entre 33 distribuidoras, a Enel SP passou da terceira pior média de atendimento em 2023 para a quinta menor em 2026. Os dados consideram apenas concessionárias que atendem mais de 500 mil unidades consumidoras.
O TMAE (Tempo Médio de Atendimento a Emergências) é um dos indicadores publicados pela Aneel para acompanhar a resposta das distribuidoras às ocorrências emergenciais. Na prática, quanto menor o TMAE, mais rápido o consumidor volta a ter energia.
O indicador exclui as chamadas “situações de emergência”, como ciclones, alagamentos extremos ou eventos fora do controle operacional, os chamados “expurgos”. Ou seja, eventos como os apagões enfrentados pela Enel não entram no cálculo.
Segundo Guilherme Lencastre, presidente da Enel São Paulo, a empresa contratou cerca de 1.600 profissionais e investiu cerca de R$ 5 bilhões na modernização, resiliência e expansão da infraestrutura elétrica, além de duplicar o volume anual de podas de arvores.
“Reduzimos em cerca de 60% o tempo médio de atendimento aos clientes e saltamos para a 5ª posição no ranking das 33 distribuidoras avaliadas. Trata-se de uma evolução expressiva, a maior entre todas as distribuidoras (…). Esses resultados comprovam que estamos no caminho certo e reforçam nossa capacidade de seguir investindo, dando continuidade ao ciclo de melhorias”, disse.
O resultado aparece em meio ao processo que pode levar à perda da concessão da empresa. A Aneel instaurou o procedimento, após avaliar falhas no atendimento durante eventos climáticos severos em 2023, 2024 e 2025, que deixaram milhões de consumidores sem energia por períodos prolongados.
A redução ocorreu ao longo dos quatro anos analisados. Em 2024, a distribuidora paulista registrou 680 minutos. Em 2025, o tempo baixou para 434 minutos. Só na passagem de 2025 para 2026, a queda foi de 29,6%.
A evolução do setor foi desigual. Das 33 distribuidoras comparadas, 19 reduziram o tempo de atendimento entre 2023 e 2026, enquanto 14 registraram aumento. A CPFL Piratininga registrou o menor tempo entre as empresas analisadas em 2026, com média de 180 minutos, equivalentes a três horas.
O levantamento cobre apenas janeiro a julho de cada ano e, portanto, não representa o desempenho anual das concessionárias. A comparação entre empresas também exige considerar diferenças nas condições climáticas, número de consumidores, tamanho e nas características das áreas atendidas.
Na decisão que abriu o processo, em 7 de abril, a Aneel apontou demora no atendimento, aumento de interrupções superiores a 24 horas e falhas no planejamento e na execução dos planos de contingência. A agência concluiu que as medidas adotadas pela Enel não haviam sido suficientes para corrigir os problemas identificados.
“A melhora pontual de indicadores ou de resposta a eventos específicos não afasta a caracterização de inadequação do serviço”, registrou a decisão. O posicionamento é anterior ao fechamento do recorte de janeiro a julho de 2026 usado no levantamento.
Nas alegações finais apresentadas neste mês, a Enel contestou os critérios utilizados pela agência e pediu a anulação do processo. A empresa sustenta que cumpre os indicadores regulatórios de duração e frequência das interrupções e questiona a existência de uma métrica previamente definida para o restabelecimento do serviço após eventos climáticos severos.
Ao concluir o processo, a Aneel decidirá se recomenda ao Ministério de Minas e Energia a caducidade, ou seja, o encerramento antecipado da concessão por descumprimento de obrigações. A decisão final cabe ao ministério. A distribuidora atende 8,9 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios paulistas, incluindo a capital.